Os sambas de Maria Rita
Terceiro CD da cantora foca em repertório de sambas

por Beto Feitosa

O refrão de um antigo samba pergunta "Onde andará Maria Rita?". Se a mesma pergunta fosse feita no último ano, provavelmente ela estaria por ali na platéia, ouvindo, pesquisando. Em seu terceiro CD, Maria Rita mergulha no mundo do samba. Acompanhada por Leandro Sapucahy, produtor desse trabalho, Maria Rita lança Samba meu, pela Warner.

Se o disco anterior, Segundo, repetia a fórmula de sucesso de seu trabalho de estréia, o novo CD traz a cantora focado no mais brasileiro dos ritmos. "Tenho muita admiração, muito respeito pelo samba", revela em entrevista coletiva virtual. "Não sou sambista como Beth Carvalho e Teresa Cristina. Mas gravar esse disco de samba vem dessa paixão e desse momento de minha vida", revela. "O samba traz muita alegria, sorriso", filosofa. "A comunidade do samba me chamou. Sempre fui recebida com muito carinho". Samba meu traz uma bem caprichada coleção de músicas, todas lapidadas com grande esmero.

O conjunto de sambas selecionado é plural e muito bom. A primeira música a ser trabalhadas nas rádios foi Ta perdoado. Maria Rita esbanja graça na irresistível Corpitcho, que já nasceu antológica. Perguntada sobre as regravações presentes no disco, Maria Rita aponta apenas O homem falou, de Gonzaguinha, e Mente ao meu coração, que a cantora afirma conhecer na gravação de Paulinho da Viola. Maria Rita esqueceu, porém, de Trajetória, que batizou o CD de Elza Soares em 1997. Tá perdoada.

Os boatos de que Maria Rita estava gravando um disco de sambas agitou o mundo do samba. "Começou a chegar muitas coisas que eram feitas pra mim. Mas eu achava que tinha que ser diferente, eu que tinha que me virar para entrar no universo dos sambistas. Fomos escolhendo por aí", revela. "A escolha do repertório foi muito prazerosa. A gente ouve que a música está acabando, mas isso é um equívoco. Eu ouvi muita coisa. É um universo tão abrangente, tão rico. Cada coisa nova que eu ia descobrindo já achava que não ia ter fim", comemora.

Orgulhosa de seu trabalho, Maria Rita liga esse terceiro CD com os bastidores de seu primeiro, quando o produtor Tom Capone rasgava elogios a Arlindo Cruz. "E só vim a conhecer ele agora", espanta-se. Conselho aceito, Arlindo é o nome mais constante nos créditos, assinando seis composições. "Estou muito orgulhosa desse trabalho", garante.

Paulista, Maria Rita viveu nos EUA por muitos anos com o pai, o pianista César Camargo Mariano. "Eu tenho muita influência do jazz. O piano é muito presente desde que me conheço. A escolha de manter essa base piano, baixo e bateria foi sugestão do Leandro", conta Maria Rita. "No início fui contra, mas ele me convenceu de que deveria me manter fiel ao meu estilo e acrescentar informações. A gente não tem muito medo de experimentar sonoridades diferentes".

Mas o samba vem de suas lembranças de infância. "A primeira coisa que ouvi longe da influência dos meus irmãos mais velhos foi um samba. Quando morei fora ouvia para matar saudades. O pão de queijo e o guaraná não faziam mais efeito, então caí no samba", lembra rindo. "Me animava ouvindo o que tinha: Gilberto Gil cantando Aquele abraço e algumas coisas do Chico Buarque. É um pouco de lembrança, de saudosismo e de minha atual paixão pelo samba", declara.

A mídia costuma cobrar muito de Maria Rita. A questão aqui não é se o samba está na moda ou não. Vale comemorar o disco em que Maria Rita vai fundo no samba. Bem recebida, entra a turma com grande propriedade. Ela esta aí, e abram alas para seu samba.

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