Arlindo Cruz sambando a própria obra
Com mais de 500 músicas gravadas, compositor mostra inéditas

por Beto Feitosa
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Com mais de 500 músicas gravadas para enriquecer o portifólio, Arlindo Cruz lança seu CD, Sambista perfeito, pela Deckdisc. Primeiro disco de inéditas do compositor em 14 anos, traz 12 músicas da nova safra e três releituras para amigos.

Seu nome começou a aparecer e ser celebrado com a (ótima) parceria com Sombrinha, com quem gravou até 2002. Nos últimos anos o compositor viveu o sucesso do projeto Pagode do Arlindo. Apresentado em várias cidades e sempre com participações especiais, o que era um show informal virou CD e DVD de sucesso. Prestígio conquistado e nome em alta, faltava apenas um espaço para ele apresentar a própria obra. Eis o novo CD.

Arlindo reuniu sambas com força para orgulhar essa nobre tarefa. O que poderia estar disperso como faixas de destaque em CDs de vários interpretes, aparece aqui com a assinatura do próprio compositor.

Na faixa-título, dentre as grandes no rol das melhores, Arlindo dá a dica do sambista ideal: "Elegante do jeito Paulinho / Cativante do jeito Martinho / Ser malandro e contagiante / Do jeito Zeca Pagodinho", lista. "O sambista perfeito devia ser feito à imagem do samba", decreta cheio de razão.

Com o prestígio conquistado, Arlindo traz convidados de outras praias. Ao lado de Maria Rita relê O que é o amor, uma das seis que a cantora gravou de Arlindo em seu recente CD. Aqui, aparece em um dueto com o pai da canção, e também em faixa-bônus interpretada apenas por Arlindo.

De olhos abertos, Arlindo também mistura samba e rap ao lado de Marcelo D2 em O Brasil é isso aí, um delicioso protesto contra a discriminação e miscigenação. "Se liga que o meu povo é isso aí / Goiabada e queijo, torresmo e tutu", dispara. O resultado da mistura é melhor do que o encontrado por D2 em seus últimos trabalhos.

Com livre-acesso no mundo do samba, Arlindo também recebe colegas. Não bastasse o dueto com Zeca Pagodinho, Se eu encontrar com ela (parceria dos dois) ainda tem o mérito de juntar a Velhas Guardas do Império Serrano e da Portela. Da nova geração, Arlindo recebe Xande de Pilares em Sujeito enjoado.

O disco tem produção de Leandro Sapucahy, cria do Cacique de Ramos, de onde saiu Arlindo Cruz, ex-integrante do grupo-escola Fundo de Quintal. Um dos fundadores do grupo, Sereno, está em Flor que não se cheira.

Recheado de convidados, Arlindo Cruz celebra a própria obra e põe na rua a nova safra de inéditas. Seguindo a democrática participação em seu pagode, Arlindo Cruz continua bom anfitrião mas, agora, volta a canta sua safra recente. Bons sambas que podem agora ganhar vida própria por aí.


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