Luiza Possi cresce ao vivo
Cantora registra em DVD show com repertório pop

por Beto Feitosa
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Cheia de boas intenções Luiza Possi continua sua carreira fonográfica com o primeiro projeto ao vivo, lançado pela LGK Music em DVD e CD. Gravado no belíssimo Teatro Municipal de Niterói, retrata uma nova fase da cantora, em busca de uma carreira mais consistente.

Se há tempos a cantora tenta se afastar da imagem teen inicial, a seleção de músicas dá uma força quando Luiza escolhe bons nomes do pop rock como Ana Carolina e Moska. Mas a aura de boa menina está ali, jovem e límpida de vestido branco e bolhas de sabão que surgem no palco. Tudo muito bem ensaiado, pouco espaço para improviso. A intenção fica no meio do caminho, com muitos mais pontos a favor do que contra.

O DVD de Luiza abre com a percussão moderna de Marcos Suzano, que já mostra as ambições da cantora que abre com duas músicas de Lenine: Gandaia das ondas e Pedra e areia, sucesso do último CD de Luiza.

A cantora é afinadíssima, mas algumas vezes falta um pouco de sal em sua interpretação. Não é o caso da difícil Tango de Nacy. Se a imagem de menina bem comportada poderia desvirtuar da letra, Luiza se sai bem nos momentos em que ousa esses vôos mais altos.

Quando canta Seu nome, de Vander Lee, chama atenção pelo belíssimo arranjo que flerta de leve um flamenco. Mas arrasa mesmo em Miss Celie's blues. Cheia de caras e bocas, aponta para um caminho mais adequado a sua interpretação. Também está graciosa em uma versão acústica e intimista para o hit Jovem Guarda Coração de papel.

De terno, gravata e boné Herbert Vianna divide com Luiza uma ótima versão de Quase um segundo. "Eu não preciso falar nada", resume uma visivelmente emocionada Luiza depois de cantar e antes de ser elogiada em público pelo compositor.

No bloco final Luiza cresce definitivamente. Arrisca um ótimo Itamar Assumpção (Mulher segundo meu pai), segue por caminhos de Moska (Não diga que não te dei nada) e chega no gostoso balanço pop de Jorge Vercilo (Rastro de cometa). Volta com uma boa releitura de Oração ao tempo, de Caetano Veloso. Aí se vê claramente as ambições de Luiza que, em uma música difícil e já bastante gravada, procura seu próprio caminho. Para encerrar volta a Moska com O último adeus.

Consciente, Luiza faz questão de apresentar e reverenciar os grandes músicos de sua banda. Nesse projeto a cantora se cercou de talentos inquestionáveis como Marcos Suzano, Paulo Calasans e Marcio Malard, que acrescenta um charme extra com seu violoncelo.

Luiza Possi é boa cantora, mas ainda não fez um disco perfeito. O mais nobre é que parece estar procurando seu caminho e melhorando a cada dia. Mesmo com os eventuais escorregões, o DVD vale como um bom projeto pop.


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