Uma bomba de múltiplos talentos
Primeiro trabalho revela o lado musical de Silvia Machete

por Beto Feitosa
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"Essa assovia e chupa cana". Assim Silvia Machete foi definida por Hebe Camargo quando foi ao programa lançar o CD Bomb of love - Música safada para corações românticos. O local não poderia ser mais adequado. A irreverente apresentadora se mostrou encantada com Silvia que não cantou e nem dublou, mas impressionou o público com um número que fez com o bambolê.

Essa é Silvia. Não se define, mas no melhor sentido. É artista do picadeiro, da rua e do palco. Basta ter luz que brilha. Uma verdadeira entretainer que mistura em suas apresentações números de circo, truques de mágica, strip-tease, equilibrismo e malabarismos, com toques de musical, vaudeville, teatro e circo. Muita informação? A artista é completa, e também acertou quando entrou em estúdio para fazer música.

No CD Silvia Machete encarna uma pin-up moderna cheia de graça e atitude. A parceria com músicos como Domênico e Nelson Jacobina traz um ar moderno para a bossa eletrônica. A mistura única traz ecos de João Donato a Jorge Mautner. Mas tudo com muita personalidade e graça. Silvia é uma agradável surpresa. Mas há de estar de ouvidos abertos e mente livre.

A lista de compositores que passam pela cortina de Silvia mantém um ar de variedade. Ela pode ir desde um delicioso samba de Hervê Cordovil (Esta noite serenô, dos melhores momentos do disco) até um dos maiores hits do Guns'n'roses (Sweet child of mine, aqui vestido de bossa latina) em apenas uma faixa. Para logo depois garantir que Toda bêbada canta, composição própria. "Eu não sou nenhuma santa", garante na letra que narra o arrependimento depois de uma noite de bebedeira.

Silvia apresenta outras composições como Eu só quero saber de você, delícia que abre o disco, e . Também escreve em inglês com a mesmo balanço do português, como prova em Old bar, Bomb of love e 2 hot 2 b romantic. A lista de músicas se completa com uma pouco conhecida parceria de Roberto e Erasmo, Gente aberta e outra com ares de bolerão de Sérgio Sampaio, Foi ela.

Um dos grandes trunfos do disco cabe a banda que acompanha Silvia. A cantora gravou o trabalho independente com Rubinho Jacobina (piano), Nelson Jacobina (guitarra), Domenico Lancellotti (bateria), Stephane San Juan (percussão), Rodrigo Bartolo (baixo) e Thiago Charbomez (trompete). Alguns nomes já conhecidos da badalada Orquestra Imperial e de projetos do baterista. A sonoridade especial e descompromissada garante esse ar de bossa renovada e ainda mais nova.

Silvia Machete mostra, acima de tudo, forte personalidade e identidade. Não é clone de nada, não se parece com ninguém. Não tem prateleira para encaixar ela. Uma obra de uma artista de múltiplos talentos e que não vê limites. Suas possibilidades são enormes, e esse primeiro CD é apenas uma das facetas. Para ficar de olho.


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