Muitos olhares para Dolores
Dolores Duran ganha tributo variado e merecido

por Beto Feitosa
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A história da música brasileira é recheada de cantoras. A figura da compositora é mais moderna, poucas são as do passado. Uma das mais expressivas, Dolores Duran ganha caprichado tributo que mistura artistas de diferentes vertentes.

O álbum Dolores traz as assinaturas do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pela igualmente brilhante homenagem a Maysa, e do diretor musical Ronaldo Rayol. Esse novo trabalho chega ao mercado pela gravadora paulistana Lua Music.

Leila Pinheiro está, como de costume, impecável. Acompanhada pelo magnífico piano de João Carlos Assis Brasil, a cantora derrama emoção no clássico A noite do meu bem. Assim Dolores já abre com traje de gala. E segue mantendo o nível com um banho de interpretação de Célia em Olha o tempo. Fafá de Belém imprime sua marca sem exageros em Por causa de você, canção que confessou ser fã. Fátima Guedes também entra no rol da perfeição relendo Pela rua

Inesperada é a versão da ternurinha Wanderléa para Fim de caso. Mostrando-se em grande forma vocal, a cantora dá um banho de interpretação em uma música que destoa totalmente do repertório conhecido por seu público. Segue outra surpresa com Tetê Espíndola reconstruindo e percorrendo novos caminhos em Estrada do sol com seus passos agudos e afinadíssimos. O balanço do samba ficou a cargo de Zezé Motta em O que é que eu faço.

Fagner está à vontade em Castigo e Moska mais uma vez prova sua versatilidade em Solidão. Outros grandes clássicos ficaram a cargo do encontro de Claudia Telles e Tito Madi em O negócio é amar e também da sempre emocionada Alaíde Costa em Ternura antiga. De outras bossas, o balanço irresistível de Dóris Monteiro em Tome continha de você.

Alguns artistas optaram por desvendar capítulos da obra de Dolores Duran que ainda não conheciam. Vânia Bastos reafirma sua posição de uma das melhores cantoras brasileiras na belíssima Noite de paz. Carlos Navas, que esse ano lançou dois belíssimos álbuns, está ótimo em Idéias erradas e Toni Platão sai de seu universo pop para encontrar Dolores em Se eu tiver.

Cida Moreira ficou com Canção da volta, de Ismael Neto e Antônio Maria. Essa música é a única do álbum que não tem a assinatura de Dolores Duran como compositora, mas ficou marcada como sendo seu primeiro sucesso, o que justifica sua inclusão. Outra grande surpresa é a presença de Denise Duran. Irmã da compositora, Denise estava há cerca de 40 anos sem cantar e aqui dá a canja fechando com emoção a homenagem com Minha toada.

O tom ameno do disco marca o encontro de gerações. Artistas de diferentes escolas, diversos sotaques se encontrando na rica obra de Dolores Duran. Não há aqui pretensão de recriar, apenas contemporizar com beleza a obra de uma compositora que marcou sua geração e faz sua obra atravessar décadas.


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