Novos sons do Fábio Fonseca Trio
Músico requisitado no pop brasileiro lança trabalho entre jazz e samba

por Beto Feitosa
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Feito para o mercado exterior, o novo CD do Fábio Fonseca Trio ganha lançamento brasileiro da JSR Records, selo do produtor Arnaldo de Souteiro. Opus samba é o quarto título de sua carreira solo e traz novos ares. Como tecladista e produtor, Fábio é requisitado por uma constelação pop brasileira. Seu trabalho como trio é dividido com Pedro Leão (baixo) e Mac William (bateria e percussão).

O lançamento no exterior foi um sucesso, com cópias rapidamente esgotadas no site americano Dusty Groove e figurando entre os mais vendidos na loja japonesa HMV. O trabalho é fruto da dobradinha musical com Arnaldo. Os dois viajaram juntos em turnês de Dom Um Romão e Ithamara Koorax pela Europa. Agora, de acordo com o produtor, Fábio "é o centro das atenções", diverte-se. Em um movimento inesperado Fábio, requisitado produtor no Brasil, é produzido por Arnaldo, nome respeitado no mundo do jazz. O resultado está aí, nasceu com sabor peculiar.

Opus samba, ótimo título, ótimo conjunto de músicas. "Este disco já é esperado por mim há muito tempo", conta Fábio. "É, ao mesmo tempo, fruto de um amadurecimento musical e um resgate da minha formação dos anos 70, quando ficava horas improvisando com o trio que eu tinha na época", lembra o músico. "Usava pianos elétricos Rhodes e Wurlitzer, sintetizadores e um órgão Yamaha. Continuo usando basicamente os mesmos instrumentos, exceto pelo órgão Yamaha que foi substituído pelo Hammond B-3 que é muito superior. O Mini-Moog que uso agora é o mesmo da época, tem 31 anos de idade!!!", revela Fábio por e-mail.

Para encontrar o resultado desejado, Fábio inovou na forma de gravar. Ao invés dos tradicionais estúdios comerciais ou dos home-studios, atualmente em moda, Fábio construiu uma casa-estúdio, com as características que precisava para encontrar o som desejado, feita sob medida. Casa construída, o ambiente foi preparado para que Opus samba fosse gravado praticamente ao vivo. Quando, por exemplo, Fábio passa do piano Hammond para o Rhodes na mesma faixa, não há corte. O músico simplesmente pula de um banco para outro. E a música não pára.

O som remete a Ed Lincoln. Mas é novo e surpreendente. Uma bossa samba com gosto de jazz em uma mistura especial e peculiar. O repertório, escolhido por Arnaldo, traz nove composições de Fábio e duas regravações: uma para o próprio Ed Lincoln e outra para Stevie Wonder. O disco traz participações de Ithamara Koorax em A mulher de 15 metros e de Arnaldo que toca percussão em Dormideira.

É nitidamente um trabalho de grupo. Fábio Fonseca encontra uma linguagem musical especial e própria, fazendo desse disco o mais maduro em sua discografia. É uma obra especial como deixa transparecer o orgulho de todos envolvidos. Opus samba é, sem dúvida, um momento especial.


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