A estréia de um veterano
Compositor inspirado, Edu Krieger chama atenção em primeiro CD

por Beto Feitosa
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Ele estreou nos palcos aos sete anos, já no nobre Teatro Municipal carioca. Mas se o nome de Edu Krieger pode não dizer muito para a maioria do público, o mesmo não acontece com os artistas. Edu já tem músicas gravadas por Maria Rita, Roberta Sá, Pedro Luis e a Parede, Ara Ketu e o Falamansa. Eles e mais um expressivo número de intérpretes vem procurando músicas de Edu para incluir em seus repertórios. De autor disputado, Edu alavanca sua carreira solo com um ótimo trabalho de estréia.

Lançado de forma independente em 2006, o primeiro CD do compositor encontrou entusiasmadas reações no meio musical. Em 2007 a Biscoito Fino foi pegar esse trabalho e fez um segundo lançamento, dessa vez com maior estrutura, divulgação e distribuição. Edu Krieger, o disco, enfim ao alcance dos ouvintes.

Como uma saudação de boas vindas, o CD começa com a Ciranda do mundo, já gravada por Pedro Luís e a Parede, Bangalafumenga, Ryta de Cássia e Maria Rita. Segue com Novo amor e mais a frente tem Maria do Socorro. A primeira, já gravada por Roberta Sá. As duas entraram no repertório do novo CD de Maria Rita. Aqui aparecem nas versões originais.

Edu Krieger tem o raro talento de unir letra e música. O álbum traz 14 canções, todas assinadas por Edu. Apenas em Temporais, apresenta um parceiro: Geraldo Azevedo, que também divide com ele os vocais. Outras participações são de Nilze Carvalho (bandolim em Novo amor) e Nicolas Krassik (violino em A escada).

A produção de Edu Krieger é muito calcada nos sambas. Algumas vezes próximo ao tradicional, mas a maior parte do tempo recebe influências de outras praias, com direito a uso de instrumentos eletrônicos, um samba pop reciclado. Em Quando ela jurou balança com ecos de Jorge Benjor e roupa de drum'n'bass. A mistura segue na divertida Ela mora longe, um bem humorado afoxé eletrônico. Na já citada ciranda que abre o disco, esse liquidificador é levado a maiores conseqüências com o casamento do tradicional ritmo pernambucano com a guitarra de Fabiano Krieger.

Compositor inspirado, Edu é também é bom cantor e violonista. Bem além de uma revelação, já é realidade. Seu trabalho de estréia traz a vantagem de ser a de um artista já experiente e com biografia. O talento e a personalidade artística são inegáveis. Edu Krieger, o disco, é a ponta de um iceberg de criatividade e possibilidades. Um nome para se guardar e ouvir sempre.


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