Eumir Deodato encontra o Rio
Primeiro DVD do compositor mostra apresentação com músicos brasileiros

por Beto Feitosa
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O Brasil exporta seus talentos musicais e, vez por outra, eles encontram maiores melodias e a gente acaba ficando na saudade. É o caso do maestro, arranjador, compositor e pianista Eumir Deodato. Mas, em uma visita com direito a show na Sala Cecília Meireles, ele deixou o presente: Eumir Deodato Trio ao vivo no Rio, histórico título lançado em DVD e CD pela Biscoito Fino.

Deodato ganhou projeção nos EUA em 1973, quando fez sucesso com Also sprach Zarathustra, tema do filme 2001: Uma odisséia no espaço. O disco que incluía a gravação, Prelude, vendeu cinco milhões de cópias. Desde então acumulou prêmios, incluindo um Grammy, e escreveu arranjos para artistas como Frank Sinatra, Astrud Gilberto, Björk , Aretha Franklin, Tony Bennett, Roberta Flack e Tom Jobim, com quem trabalhou durante 15 anos. Tom também foi homenageado por Deodato no histórico LP Inútil paisagem, trabalho de estréia lançado em 1964.

Nesse reencontro com o Brasil, nada mais justo que uma volta à obra de Tom, que em 2007 teria completado 80 anos. O show inclui sucessos do compositor como Dindi e Wave. Em Samba de uma nota só retoma o arranjo escrito para a trilha sonora do filme Bossa nova, de Bruno Barreto. Já em Sabiá reencontra a música de Tom e Chico Buarque que ganhou arranjos do próprio Deodato para a apresentação no III Festival Internacional da Canção.

Além de Tom Jobim revisita Baden Powell e Vinicius de Moraes (Berimbau), George Gershwin (Rhapsody in blue) e, claro, Richard Strauss em sua Also spreach Zarathustra. A base do repertório, porém, é dele próprio e seus balançados jazz-funk, como Whirlwinds e Super strud.

No show Deodato forma um trio com Marcelo Mariano (baixo) e Renato 'Massa' Calmon (bateria). O DVD revela logo no início e felicidade de Deodato em compartilhar esse momento com os músicos brasileiros.

O DVD não traz extras. Em compensação, o show é apresentado com boas interrupções que mostram Deodato passeando pelo Rio e lembrando a época em que viveu na cidade. Assim, costura o início de sua história. No meio do passeio fala sobre os concertos registrados no DVD. "Eu não me lembro de ter tocado sozinho profissionalmente no Rio", confessa acrescentando que teve de adaptar as músicas para o trio, já que sua banda normalmente tem nove músicos.

Gravado em duas apresentações dias 3 e 4 de abril de 2007, o entrosamento entre os músicos e a perfeição das execuções é tanta que a impressão que se tem é que é um desses discos exaustivamente elaborados em estúdio. Mas a ficha técnica revela que a performance foi registrada totalmente ao vivo.

O show da Sala Cecília Meireles quebrou um hiato de mais de 20 anos em que Dedodato não se apresentava no Brasil. Juntando todos os fatores favoráveis (e memoráveis) ao talento do arranjador, compositor e pianista, esse Ao vivo no Rio é um registro raro e histórico.


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