Quinteto em Branco e Preto à todo vapor
Grupo lança novo trabalho e divide CD com Jair Rodrigues

por Beto Feitosa
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Queridos no mundo do samba desde que a atenta Beth Carvalho chamou atenção para eles, o Quinteto em Branco e Preto abre temporada de muito trabalho. O grupo lança simultaneamente dois trabalhos, ambos pela gravadora Trama.

O primeiro a nascer foi o aguardado disco de sambas de Jair Rodrigues. Esperto, o cantor é acompanhado pelo Quinteto em todas as faixas. O grupo vai além de servir de banda de Jair e imprime sua marca ao bom disco do cantor.

Ao mesmo tempo o Quinteto lança seu terceiro trabalho, Patrimônio da humanidade. Dessa vez o discurso é o samba, assunto entre os favoritos dos sambistas em todo país. O Quinteto vem com um álbum autoral e produzido pelos próprios integrantes do grupo, que é formado por Everson Pessoa (violão e voz), Maurilio de Oliveira (cavaquinho e voz), Vitor Pessoa (surdo e voz), Magnu Sousá (pandeiro e voz) e Yvison Pessoa (percussão e voz).

O repertório inclui Xequeré, que já fez sucesso nas rádios na poderosa voz de Alcione. Mas a melhor música é a divertida Prisão especial, bem humorada letra que reclama da exclusão do samba das grandes mídias. Parceria de Everson Pessoa com Nei Loipes, a acusação não é totalmente verdadeira, mas vale pela piada.

O samba também é defendido em um medley que junta oito músicas do repertório do Samba da Vela. Quartel general de bons sambistas em São Paulo, é ponto de encontro desde que foi fundado há oito anos. A música rola enquanto a chama está acesa, e o Quinteto traz mais oxigênio para que esse repertório vá mais longe. A gravação juntou os sambistas que freqüentam o espaço e o resultado é além de autêntico, é uma festa.

Mas nem tudo é celebração e o grupo toca fundo em problemas sociais e raciais em Elemento suspeito. Outras faixas falam sobre dores e felicidades do amor. O disco fecha com o clima alegre de Manhãs de carnaval: "Logo mais tem lua cheia / Tem pandeiros e tamborins / Lindos sambas de Candeia / Hoje a festa não tem fim".

O Quinteto leva seu samba para um número cada vez maior de pessoas. Extrapola os limites regionais e provam que São Paulo nunca foi túmulo do samba. Esse Patrimônio da humanidade vai além de levantar bandeiras, desfila o estandarte alegre do grupo.


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