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A voz Áurea Martins além de seu circuito Cantora da noite carioca lança CD com participações
No quesito cantora Áurea não fica devendo nada aos maiores nomes da música brasileira. Tanto que, em mais de 30 anos de carreira, conquistou fãs como Sueli Costa, Zezé Gonzaga, Elizeth Cardoso, Alcione e Hermínio Bello de Carvalho. E foi pelas mãos do produtor que Áurea chegou a esse novo CD, primeiro em cinco anos. O anterior, de 2003, foi uma produção independente, restrito aos já iniciados. Basta os primeiros segundos de Ilusão à toa para entender. Sem espaço para introdução, a voz de Áurea chega à frete ganhando de cara todas as atenções. A cantora junta o clássico de Johnny Alf com Pensando em ti, de Herivelto Martins e David Nasser. O repertório passeia por pérolas sagradas do repertório brasileiro. O compositor mais presente é Lupicínio Rodrigues com Não sou de reclamar, Há um adeus, Migalhas, Um favor e Volta. Há também espaço para Tom Jobim (Janelas abertas) e Ary Barroso (Ocultei). O disco funciona em medleys que destacam afinidades entre as músicas. Mas a maior surpresa fica por conta da gravação do hino pop Nada por mim, de Paula Toller e Herbert Vianna. Áurea costura o hit radiofônico com Baralho da vida, do compositor mineiro Ulisses de Oliveira. As fossas se casam a tal ponto que chegam a se encontrar quando, no final, Áurea entrelaça as duas letras. Caminho natural em um caso como o de Áurea, com fãs de talento e afinidade musical, o disco destaca participações de importantes nomes. João Donato está com seu inconfundível piano em Até quem sabe, parceria dele com Lysias Ênio. O maestro Francis Hime divide com Áurea Sem mais adeus, parceria dele com Vinicius de Moraes, em versão voz e piano. Já junto a uma banda que destaca nomes como Cristóvão Bastos e Jorge Hélder, Francis coloca voz em Embarcação, dobradinha dele com Chico Buarque. Em Vida de bailarina, canção imortalizada por Ângela Maria e uma das preferidas de Elis Regina, pode-se ouvir o arrepiante encontro das vozes de Áurea e Alcione. Fica a certeza de que a música de Chocolate e Américo Seixas é território para as maiores cantoras. Também fã de Áurea, Emílio Santiago está em Valsa dueto, belíssima e pouco lembrada parceria de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. O emocionante dueto, com direito a contracanto, é emoldurado pelo piano de Zé-Maria Rocha, que divide a idealização do disco com Hermínio e está presente em quase todas as faixas. O disco destaca a autenticidade das gravações, tanto que em alguns momentos preserva até a contagem feita em estúdio para começar a música. Áurea não precisa de retoques e nem butiques. Mas, com três décadas de música, ainda merece um desses prêmios de revelação. Ironias da indústria. Quem a conhece a partir desse registro lamenta não ter ouvido Áurea antes. Ela é do tempo da Rádio Nacional, mas ainda é pouco lembrada fora de seu circuito boêmio do Rio. Até sangrar é mais que um CD, é uma carta de apresentação da cantora para o país. Basta ouvir, a música diz tudo.
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