Aline Muniz estréia com CD pop dançante
Caprichada produção revela boa cantora e abre possibilidades

por Beto Feitosa
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Cheia de suingue a cantora Aline Muniz estréia no CD Da pá virada. A caprichada produção independente traz um pop com fortes ecos de música brasileira feita por uma boa e jovem cantora. O disco é do tipo fácil de gostar, que pega logo na primeira sem grandes pretensões. Esbanja energia e a vontade de fazer música. Funciona na maior parte do tempo.

A primeira faixa do primeiro CD: desafio da apresentação, obrigação de ganhar o ouvinte logo nos minutos iniciais. No samba Básica, de Tatiana Cobbett, Aline deixa pistas: "A moda vai e vem / Fica difícil acompanhar / Mas de blusinha branca / Eu vou a qualquer lugar". Diz a que veio, funciona e abre espaço para seguir. Em tons de black music, retoma muito bem Cidade de isopor, composição de Renata Arruda gravada originalmente pela autora em dobradinha com Ney Matogrosso.

Seguem bons momentos, alguns com fortes (e boas) tendências radiofônicas. Caso de Sai dessa, composição que a própria cantora assina com Marco de Vita, co-produtor do CD. A música tem refrão que fica na cabeça e a roupinha já é mais para sair e dançar. Assim como a irresistível levada de Pra você sambar, assinada pela mesma dupla.

A banda que acompanha Aline merece grande parte do mérito. Os arranjos divididos entre Lua Lafaiette e Marco de Vita fazem a base para Aline deitar à vontade entre músicas dançantes e baladas azeitadas. É um disco nascido e trabalhado em estúdio. A dupla de produtores encontrou a linguagem certa para a jovem cantora que, por sua vez, dá conta direito do recado com segurança e boas intenções.

O momento intimista fica reservado como bônus no final do CD. Aline é acompanhada pelo piano do maestro Amilton Godoy em O negócio é amar. Só essa saudável ousadia já seria o bastante para prestar atenção na cantora. Mas quando chega aí ela já tem o ouvinte conquistado, e pode oferecer esse momento de deleite total sem medo. Da blusinha branca até a roupa de gala Aline já mostrou suas possibilidades.

Aline estréia aos 24 anos. Mas os dotes artísticos apareceram aos cinco, como lembra sua mãe, a atriz Angelina Muniz. "Desde pequena Aline gostava de fazer apresentações. Nem que fosse para as bonecas", entrega. Aos doze começou seus estudos entre violão, gaita, piano e o teatro. Sua trajetória até aqui já conta com participações em musicais e incursões pela noite paulistana. O trabalho solo vem sendo burilado desde janeiro de 2006.

O primeiro disco revela uma cantora em busca de um pop radiofônico de qualidade e bom gosto. Cercada por uma ótima produção Aline brilha e deixa pistas de suas possibilidades de decolar. Se ela é mesmo da pá virada, como deixa pistas no título, vai seguir nesse caminho de escancarar portas e estar atenta ao que canta. Com personalidade a blusinha branca pode levar ainda mais longe.


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