Heitor Branquinho lança CD ao vivo com clima intimista
Segundo trabalho do artista mineiro traz participação de Milton Nascimento

por Beto Feitosa
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Compositor e cantor mineiro de Três Pontas, Heitor Branquinho lança seu segundo CD, batizando como Um Branquinho e um violão. O simpático trocadilho resume o álbum, que aposta na essência da música, nua e crua apresentada com simpatia por seu criador.

O disco foi gravado ao vivo em um espaço dentro de um Hotel Fazenda local. O ambiente aconchegante foi cenário do encontro de Heitor com o colega Milton Nascimento, carioca criado em Três Pontas. Primeiro Milton solta a voz em O que vale é o nosso amor, com bons ecos do Clube de Esquina. Depois relembra o primeiro instrumento, que ganhou aos quatro anos, e toca sanfona em Amigo.

Músico criado nos bares locais, Heitor sabe que não precisa muito mais do que uma coleção de boas músicas e um violão bem tocado para fazer sua música existir. Desses pequenos palcos ele traz essa experiência, e cresce quando opta por mostrar a própria obra. Bom compositor, Heitor assina todas as 17 composições apresentadas no disco. Suas melodias são simples e recheadas de emoção. Tem samba, balada, bolero e choro, em composições inspiradas.

São boas brincadeiras como Café/Maracujá, com participação ativa da platéia, ou letras mais reflexivas como Alma itinerante e ainda o romantismo em Foi-se o amor. Tudo muito sem compromisso, livre e sem produção. E aí está a ousada proposta do disco. Em tempos de computadores que fazem arte, Heitor entra na contramão e retoma a leitura acústica radical. Intimista que cria a sensação de estar próximo, à vontade. Quem sabe a música vem acompanhada, com gosto de café e pão de queijo? Tem um sabor especial de Minas na deliciosa O que se é e em Comboio, músicas com sotaque.

Violão de lado, fim de show. Contrariando todo clima, surpreende com O que vale é o nosso amor, que volta com remix assinado por Marcelinho da Lua. As vozes de Heitor e Milton Nascimento com outra roupagem totalmente antítese do que foi apresentado anteriormente. O clima intimista cai na balada eletrônica e mostra que a música está aberta para ser recriada, a arte sem limites.

Jovem talento de uma cidade que já revelou Milton Nascimento e Wagner Tiso, Heitor Branquinho despe a música para mostrar sua força. A canção e o criador - assim nasce sua obra. O público, cúmplice desse momento, participa e aplaude. Na pequena sala, ao vivo, o pequeno show registra grandes canções.


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