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Novas serenatas de Oswaldo G. PereiraCompositor lança terceiro CD confirmando talento e personalidade Ótimo compositor ainda pouco conhecido fora do circuito do samba, Oswaldo G. Pereira lança seu terceiro trabalho, Serenata, pela Dubas Música. O novo disco é ainda mais inspirado que seu anterior, o elogiado As árvores (quando ainda não assinava com o curioso G. no nome). Oswaldo é grande compositor, já tendo sido inclusive comparado a Noel Rosa e Chico Buarque. Sem o risco do exagero, o novo CD traz doze composições, e seria injustiça classificar apenas como samba. A espinha dorsal pode ser, mas o disco que já de cara se chama Serenata tem um tango transviado, canções, choros, ecos de bossa e sons nordestinos do baião e da embolada. Uma riqueza de ritmos em que cada aba é uma pequena jóia, surpresas inspiradas. Em Serenata Oswaldo conta causos em Cordel. Flerta com o samba tradicional (ao mesmo tempo sem ser tradicional) em Aquela mulher só me dava azar, ode ao novo amor com boa dose de vingança ao antigo. Chora com os mestres em Primeiros passos, composição instrumental magistralmente valorizada pelo diálogo do piano de Leandro Braga com a flauta de Dirceu Leite. De tirar fôlego. Beirando o lirismo convida o grupo Equale para valorizar ainda mais a bela Água de olho, faixa que encerra o disco e tem a função de abrir caminhos para continuar o mergulho na obra de Oswaldo. Em Sofrimento a participação é do originalíssimo Brasov, que transforma a composição em um drama que beira o kitsh estilizado de um filme de Almodóvar. Que rapidamente muda de cena e mostra uma bela praia carioca na nova bossa De noite. Com o jornalista e eventual compositor Julio Moura, Oswaldo assina Queria que fosses minha. A letra, extensa para os padrões ditados pelas rádios, canta o amor platônico, com uma dose certa de sofrimento e outra maior de bom humor. Um samba boêmio que segue a linha de beber (até o último gole) a tradição e retomar com idéias contemporâneas. É um músico moderno, atento cronista urbano. Sua música se impõe com doçura inteligente, pega pelo pé quem se aventurar a conhecer. Basta ter ouvidos abertos e atenção ao novo. Incrível como esse compositor não está por aí, com sua obra disputada pelas tais grandes cantoras. Coisas de uma indústria preocupada em fabricar celebridades e grifes. Em tempos que se discute a música digital, pouco se fala de música com impressão digital. O suporte tem despertado mais interesse do que o conteúdo. Independente (disso, daquilo e também na arte), Oswaldo não é o tipo de artista que faz um tipo diferente, ou que procura espaços desesperadamente. Oswaldo Pereira desempenha seu papel real, funciona em um ritmo diferente, mais livre e devagar. Quem chega a mergulhar em sua obra descobre o grande talento. O compositor low profile que canta sua obra sem muito alarde por aí. Mas merece ser (muito) mais ouvido, gravado, discutido e conhecido.
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