O som nordestino de Nicolas Krassik
Músico francês montra grupo Cordestinos para recriar ritmos brasileiros

por Beto Feitosa
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O sotaque francês fica só na fala, quando toca seu violino Nicolas Krassik é músico brasileiro. Ele vai ainda mais fundo agora, que montou o grupo Cordestinos para reler ritmos nordestinos em seu terceiro CD, lançado pela Rob Digital. Nicolas recria xotes, baiões e maxixes em arranjos para cordas e percussão.

A paixão pelos ritmos nordestinos, porém, é mais antiga. Nicolas já formou um show ao lado de Edu Krieger em um grupo de forró. A festa semanal durou três anos até que as agendas dos artistas impediram a continuação do projeto. Mas daí nasceu a semente desse disco, em que Nicolas aproxima o violino da rabeca. "Peguei um violino que já não me servia e coloquei cordas de guitarra", conta Nicolas. "O arco é o da rabeca mesmo, que é menor, mais simples e tem uma curvatura diferente".

A viagem de Nicolas pela música nordestina passa por Dominguinhos, Gilberto Gil , Sivuca e Hermeto Pascoal. Claro que tem um lugar especial reservado para Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira em uma releitura para Assum preto com violino, rabeca e contrabaixo. Dos melhores momentos do disco.

O som do morro carioca também viaja. Nicolas pega Opinião, grande samba de Zé Kéti, e recria com rabeca, contrabaixo e percussão. O próprio músico compôs a inédita Cordestinos, que batizou o grupo e o projeto. Ainda de dentro do grupo traz Meu galo, de Guto Wirtti, que ganhou participação do violão de sete cordas de Yamandú Costa.

Também passam pelo disco as cordas do bandolim personalizado de Hamilton de Holanda em Te cuida jacaré, composição de Dominguinhos arretada no arranjo de Marcelo Caldi. Carlos Malta, que inspirou Nicolas com seu trabalho ao lado do Pife Moderno, toca o pífano em Caminho do sol, de Hermeto Pascoal. Em clima de despedida de festa a música começa sentida, mas logo dá o último gás da dança.

Nicolas Krassik entende como poucos o coração brasileiro na música. Vai fundo na pesquisa e assim descobre meandros que nem quem nasceu e foi criado por aqui conhece. Sua formação erudita e sua escola de jazz servem hoje de base para o artista que adotou a música brasileira como sua. E fez bem, basta ouvir para ter certeza de que seu olhar não é apenas de estrangeiro curioso. Vai mais fundo, enxerga mais longe.


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