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Zeca Baleiro lança novo álbum dividido em dois volumesPrimeiro CD traz repertório de músicas animadas repletas de informações e idéias A mente criativa de Zeca Baleiro não pára, e ele não se acomoda. Em meio a diversos projetos (todos antenados com a arte, poucos com a indústria), Zeca lança seu novo trabalho. Não apenas um CD, mas dois. Divididos e lançados com um hiato de - apenas - três meses. Ele considera um bom espaço de tempo para o público assimilar. Assim apresenta primeiro O manual do homem bomba volume 1, pela MZA Music. Cai na estrada e logo depois já põe nas lojas o segundo volume, continuação de uma saga que não pára. "Eu só decidi que iam ser dois volumes quando já estava gravando", explica Zeca em entrevista. "Foi um trabalho muito produtivo, em vinte dias a gente tinha quase trinta canções", contabiliza. Zeca adianta as diferenças entre os dois volumes: "Esse é mais dançante, o outro vai vir mais introspectivo. São primos". "Resolvi escoar isso tudo, não quero ano que vem estar ainda envolvido com essas músicas. Elas pedem para sair", filosofa. "Lançar os dois de uma vez eu acho indigesto, prefiro dar esse tempo para o público digerir", explica sobre a opção pelo formato inusitado. Ao contrário de dezenas de discos que são lançados reciclando o mais do mesmo, com Zeca Baleiro a história funciona de outra maneira. O criador inquieto que procura novidades despeja uma obra inquieta, repleta de informações musicais. Quem está acostumado a reduzir sua playlist com os sucessos de sempre pode sofrer um colapso. Quem tiver ouvidos abertos vai entender e aplaudir. Zeca sempre traz o novo, o diferente. Um estilo pessoal imposto por ele e sem muito espaço para imitadores. Esse segmento próprio que não se encaixa em rótulos aparece mesmo (ou talvez até mais) nas regravações. Nesse primeiro volume, por exemplo, abre espaço para duas releituras: Alma não tem cor do repertório do Karnak e Bola dividida de Luiz Ayrão, compositor dos chamados "samba-jóia" dos anos 70. "São coisas que eu gosto", simplifica. "A música do Karnak eu já toco há dois anos nos shows, tem gente até que acha que é minha. A do Luiz Ayrão gravei para um programa de rádio em Florianópolis e virou um pequeno hit na programação. Experimentei gravar e ficou interessante", conta. De seu próprio baú Zeca retoma Vai de Madureira, irreverente crônica escrita por ele para um disco das Frenéticas de 2001. A música andou em shows de Zeca, mas só agora mereceu registro do próprio autor. Além de atual, a letra é atemporal. "Quem não pode Nova York vai de Madureira", canta. De resto muitas novidades recém saídas do forno. Como Toca Raul, resposta de Zeca para os fãs do roqueiro baiano que sempre pedem uma música sua. "Paro, penso e reflito / Como é poderoso esse Raulzito / Esse cara é mesmo um mito", atesta na letra. Quando está no palco Zeca engata Como vovó já dizia. Quem sabe na estréia, nessa sexta, 22 de agosto, em Manaus? Ou então no Rio em duas apresentações marcadas para os dias 12 e 13 de setembro no Circo Voador. Essa música foi a primeira faixa do disco a aparecer. Em dezembro de 2007 Zeca disponibilizou o download gratuito em seu site oficial como presente aos fãs. "É estratégia de traficante: primeiro é de graça e depois cobra", brinca "O artista dar é mais simbólico. É importante como estratégia, mas também como um afago no público que compra disco caro e vai ao show te ver", conta. A experiência vai além e Zeca pretende distribuir três músicas do próximo CD antes de seu lançamento.
Pela letra passam ainda Walter Franco, Macalé e Tom Zé, artistas tidos como "malditos". "Hoje vejo todos eles terrivelmente angustiados com o rótulo, que inviabilizou muita coisa na carreira deles. Isso fecha portas, é uma coisa que vem mais pelo temperamento do cara do que pela música. Se você pegar uma música do Itamar Assumpção e colocar na abertura de uma novela o povo inteiro vai cantar", acredita. "Minha admiração e simpatia por eles termina aí, em ter ido por um caminho avesso ao mercado, uma busca individual. Esse destino maldito eu não quero", decreta. "É festa, música pra dançar", define Zeca sobre o primeiro volume que ele admite ter muita influência do projeto Baile do Baleiro que fez no Rio e São Paulo e planeja registrar em DVD com participações especiais. É apenas um dos projetos do músico que também tem na lista um disco de músicas infantis, outro de poemas eróticos e planeja regravar a obra de Sérgio Sampaio. As antigas gerações diriam que Zeca Baleiro tem bicho carpinteiro. Não bastasse a agenda cheia de shows, produz discos de outros artistas, dirige um selo que rema contra a maré da indústria, compõe trilha sonora, inventa projetos alternativos a sua própria carreira, arquiteta projetos e garante que seus talentos não se esgotam na música. "Cozinho bem", garante irreverente.
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