Grupo Social Samba Fino lança primeiro CD
Disco junta novos nomes e grandes mestres em arranjos elegantes

por Beto Feitosa
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A proposta do grupo é seguir a linha elegante do samba. O grupo Social Samba Fino faz exatamente isso em seu primeiro CD. Não é um samba para as grandes quadras, e sim para a sala de casa. O elegante disco, lançado pela Lua Music, junta composições inéditas de Nei Lopes, do Quinteto em Branco e Preto além de regravações de Noel Rosa, Eduardo Gudin e João Nogueira.

Vocalista do grupo, o cantor Luiz Mel define: "A idéia é encontrar um lugar que esteja entre a originalidade do samba de Cartola e Noel e a bossa e o samba estilizado de Tom Jobim e João Bosco, por exemplo", explica revelando a nobre linhagem que serve de inspiração. "Outra característica do trabalho é misturar um repertório de gerações distintas. Novos como o Quinteto e Andréa Lafayette e veteranos como João Nogueira e Nelson Cavaquinho".

O grupo tem a grande honra de receber Dona Ivone Lara, que divide com Luiz o vocal em Mel pra minha dor. A dama ganha reverência do grupo e devolve a gentileza: "E que o nosso samba cada vez brilhe mais com a força de vocês". Para lembrar os mestres, o grupo junta o Quinteto em Branco e Preto e a batucada do Fundo de Quintal em Canto para a Velha Guarda.

Cutucando valores distorcidos rebobina Não tem tradução. A atualíssima e séria brincadeira de Noel Rosa, Francisco Alves e Ismael Silva em cima da mania do "feliz-colonizado" de usar palavras em inglês em seu dia-a-dia. Engata com a deliciosa Dicionário, parceria de Nei Lopes e Everson Pessoa. A ótima letra coloca vários pingos nos lugares certos: "Pra mim, sertanejo é antes de tudo um forte / Axé é força e boa sorte", dispara. "Artista em meu ponto de vista / É quem cria e conquista / E que sabe que mesmo em capa de revista / Artista é artista, e mané é mané", dispara. Tá tudo explicado.

O CD é uma coleção de bons sambas executados com arranjos carregados de sutilezas e harmonias agradáveis. O grupo estréia pegando o caminho elegante, do Paulinho carioca e do Gudin paulistano. De um samba que não é necessariamente para festa. Faz pensar, questiona e funciona para ouvir, com todo prazer.


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