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Paula Morelenbaum mergulha na pré-bossaNovo CD da cantora reprocessa sambas cheios de telecoteco A bossa sempre esteve na vida e no repertório de Paula Morelenbaum. Seja em casa, seja nos anos em que cantou ao lado de Tom Jobim, ou até em seus vôos solo. Quando o mundo se vira inteiro para a batida diferente, Paula dá um passo atrás (cronologicamente) e outro à frente (esteticamente). Em seu novo CD, Telecoteco, a cantora mergulha em um repertório de sambas com mais de 50 anos de idade. Mas veste eles com uma roupa moderna e cosmopolita. "Eu queria ir além, descobrir o que influenciou esses artistas", explica Paula em entrevista por telefone. "O disco quase se chamou Ziriguidum", revela a cantora. "Mas telecoteco era uma gíria, samba sem telecoteco não era samba bom. O que depois passou para bossa, o que era bacana tinha bossa", atesta fazendo o link. O disco é uma produção do selo Mirante, da própria Paula, e ganhou distribuição no Brasil pela Universal Music dois meses depois de seu lançamento no Japão. "Estive agora lá, o disco está indo muito bem", conta animada a cantora que já tem público fiel no país. "Eles são muito estudiosos, sabem muito sobre música brasileira", explica. "O que achei bom com esse trabalho foi a possibilidade de mostrar um pouco mais da música brasileira. A bossa é maravilhosa sim, mas antes a gente já tinha outras maravilhas", garante e prova. Alguns desses autores já passavam pela voz de Paula, mesmo quando dava seus primeiros passos profissionais. No repertório do lendário vocal Céu da Boca estavam músicas de Assis Valente, já solo fez um show em homenagem a Carmen Miranda. "Conheci esse repertório durante a vida, mas nunca tinha feito uma pesquisa tão profunda quanto agora", conta Paula. "Em matéria de bossa nova já sou PhD, é só contar até três que eu vou", brinca. "Mas quando fui fazer esse disco foi uma loucura. Conhecia muitas músicas mas não tinha intimidade com nenhuma delas. Tive que trabalhar bastante pra descobrir o que queria e também entrar nesse universo", revela.
Paula optou por uma releitura moderna. A própria presença de diversos produtores no projeto já dá essa idéia. Ícone desse banho de loja, O samba e o tango, antigo hit de Carmen Miranda, ganhou intervenção do duo argentino Bajofondo, que assina a estilizada e curiosa trilha de abertura da novela A favorita. "Eu queria colocar um tango no disco, mas a opção por esse foi idéia do próprio Juan", entrega referindo-se a Juan Campodónico, membro da dupla ao Aldo de Pablo Bonilla. O disco ainda soma participações do pianista japonês Ryuichi Sakamoto, de mestres da bossa como João Donato e Marcos Valle além de grandes músicos brasileiros como Leo Gandelman, Chico Pinheiro e, claro, o cello de Jaques Morelenbaum, marido de Paula. "Agora é pra sempre, acho que vou sempre misturar essas ondas da música mais tradicional e da eletrônica", revela Paula feliz com o resultado.
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