Suely Mesquita mostra seu Microswing
Segundo CD da compositora tem participações de Zélia Duncan e Zeca Baleiro

por Beto Feitosa
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A compositora Suely Mesquita lança seu segundo CD, Microswing, produção independente caprichada e bem delineada. Boa cantora em técnica e (muita) intenção, Suely concebeu um disco bem resolvido e com surpresas ao longo de seus pouco mais de 45 minutos.

Suely Mesquita é compositora de estilo, tem músicas gravadas por Ney Matogrosso, Moska, Fernanda Abreu, Pedro Luis, Leoni e mais uma lista sem fim entre o pop, a vanguarda e a música brasileira mais tradicional. Como cantora também faz bonito. Nesse novo trabalho todos os talentos são orquestrados por um terceiro, da produtora consciente e certa do que quer. Microswing tem estilo, e é ele que abraça e dá o conceito da obra.

O CD soma participações de dois parceiros de Suely. Quem aparece primeiro é Zélia Duncan na sensacional Imenso, música de empatia imediata, pronta pra ser cantarolada por aí. Seria hit obrigatório caso as rádios pautassem sua programação apenas pela qualidade. Pouco depois a voz de Zeca Baleiro ganha espaço no samba-diferente Longe que dispara (e cria) a máxima "sinal de saúde é sentir saudade".

Suely tem um humor próprio, fino e inteligente. O olhar atento da compositora transforma tudo em música. A inspiração pode vir do cotidiano, como em Qualquer lugar e Canção brega em que Suely segura coisinhas que fazem parte de seu dia-a-dia. Ou então a saudade de uma amiga, a cantora Ryta de Cássia, que ganhou o Blues pra Ryta. Mesmo com o tema difícil a ironia está presente: "Mas você mudou de idéia antes da hora / E achou que ficar velha ia demorar muito / Montou na sua vassoura e foi-se embora / Me deixou chupando dedo e sem assunto". Não só essa faixa, mas o CD inteiro é dedicado à amiga.

Algumas músicas que entram aqui já haviam sido registradas em outras vozes. Caso de Zona e progresso, aqui faixa de abertura e no CD de Pedro Luis e a Parede a música que batizou todo o trabalho. Suely também volta a Vira lixo, parceria com Chico César inaugurada pela voz particular e especial de Ceumar.

A produção musical de João Gaspar traduz em belos arranjos as idéias modernas de Suely. O talento do músico (que no disco também toca violões, bandolim e guitarras) é mérito essencial ao trabalho. Suas soluções sonoras acompanham as invenções da compositora. Microswing é, então, uma viagem a dois.

São apenas três quartos de hora com músicas, idéias e propostas. Pop no sentido "caldeirão" que aglutina ritmos e abre idéias. Na verdade uma música livre, com impressão digital de uma compositora moderna e inquieta, em busca da letra que vai mais longe e da melodia que pega pela surpresa. Sinal de saúde é criatividade, e aqui tem aos montes.


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