Ensolarada madrugada de Mart'nália
Novo CD da cantora faz passeio animado por ritmos notívagos

por Beto Feitosa
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"Tá tudo bem, eu tava por aí tão bem", canta Mart'nália em sua ensolarada Madrugada. Esse é o título do sétimo trabalho da cantora, aguardado lançamento pela Biscoito Fino. Depois de consagrar seu canto risonho no ótimo CD Menino do Rio (2005) e no DVD/CD Ao vivo em Berlim (2006), a cantora cai nessa nova aventura de ritmos notívagos.

A produção e os arranjos são divididos entre dois craques: Arthur Maia e Celso Fonseca. O elo entre os dois é a figura de Mart'nália, cantora com personalidade forte e liberdade para transitar entre diversos mundos, indo do tradicional samba miudinho do pai Martinho até o pop-cabeça de Moska. Sem cerimônia.

Mart'nália dá um passo que é corajoso na carreira de qualquer cantora: regrava uma música marcada por Elis Regina. E se sai bem imprimindo sua marca e transformando Sai dessa, parceria de Nathan Marques e Ana Terra, em um samba cheio de molho carioca com ainda mais cerveja saindo da bica. "Eu vou cantar essa música aqui, mas quero repetir duas vezes o verso 'hoje eu sonhei que cerveja dá na bica'. Cerveja na bica é meu sonho de infância, arruma um jeito", pediu para Celso Fonseca e foi prontamente atendida. A mesma liberdade traz para seu repertório o otimismo de Don't worry, be happy!, com direito a versos em português adaptados pela própria. A filosofia de felicidade é a cara de Mart'nália e já caiu na disputada abertura da nova novela da Globo.

Ainda entre as releituras de grandes sucessos, Mart'nália faz ótima revisão de Alegre menina, música de Dori Caymmi para poema de Jorge Amado, que ficou marcada na voz do estreante alagoano Djavan em 1975. O mesmo Djavan que assina com Arthur Maia Alívio, bossa-charme mansa que abre o disco festivo.

No rol das novíssimas estão também parcerias de Mart'nália com Mombaça em Tava por aí, com Arthur Maia e Ronaldo Bastos em Deu ruim ou com o mesmo Arthur, Maré e Paulo Flores em Angola.

Quem ainda insiste em limitar Mart'nália com rótulos vai se surpreender com o disco. Ela está mais plural e solta do que nunca. O órgão de Jorjão Barreto que abre Ela é minha cara remete ao samba-jazz da década de 70. O arranjo junta sofisticação e pé no chão, ligando os dois pólos, que ficam bem com o tempero da cantora.

"Se o buraco é mais embaixo, nosso astral é mais em cima", garante apropriando-se dos versos de Ana Terra. A madrugada de Mart'nália tem festa, tem felicidade, tem amigos, tem amores e desamores. Mas tem música, muita música boa pra ouvir a qualquer hora da noite ou do dia. "Se não estou no paraíso, estou bem perto de chegar". A festa não tem hora, e essa noite não tem fim.


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