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Bossa nova, marco zeroHistórico LP de Elizeth Cardoso com músicas de Tom e Vinicius é relançado Antes de João Gilberto vestir o pulôver na capa do histórico LP Chega de saudade, a tão falada batida da bossa já havia sido ouvida acompanhando a voz da (já então) grande Elizeth Cardoso (na época assinando Elizete). Gentilmente cedida por sua gravadora Copacabana para um projeto do pequeno selo Festa, Elizeth dava seu aval a uma promissora dupla de compositores, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Esse documento histórico ganha nova e caprichada edição pela Biscoito Fino. O LP Canção do amor demais, lançado originalmente em 1958, é tido como o marco zero da bossa nova. Ali, valorizado pelo prestígio da grande cantora, estava o embrião do movimento que pouco depois revolucionaria a música brasileira. Estão no disco o violão de João, o piano de Tom e as letras de Vinícius. Estão clássicos então inéditos como Chega de saudade, Estrada branca, Modinha e Janelas abertas. Os arranjos de Tom para a pequena orquestra permitida pelo orçamento dão um ar elegante ao disco. Diferente da estética romântica da época, Tom queria um ar camerístico para as músicas. A batida diferente de João não é ouvida em todo o disco, apenas em duas faixas, Chega de saudade e Outra vez. Nem mesmo o termo bossa nova existia, como fica claro no texto publicado no encarte com assinatura de Vinicius. "A diversidade dos sambas e canções exigia uma voz particularmente afinada; de timbre popular brasileiro mas podendo respirar acima do puramente popular...E assim foi que a Divina impôs-se como a lua para uma noite de serenata'', derrete-se o poeta. Como a grande maioria dos discos que fazem história e tem relevância artística, Canção do amor demais não era o projeto do sonho de nenhuma gravadora. Mas o tempo provou que ali estava a semente do que pouco depois seria um grande marco da música brasileira. Cinqüenta anos depois, além de um belíssimo disco fica o prefácio de uma história ainda está sendo cantada.
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