Virginia Rosa abraça obra de Monsueto
Em seu novo CD a cantora resgata o repertório do compositor

por Beto Feitosa
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Quando Virginia Rosa resolve cair no samba, é sempre na melhor classe. Se a idéia é então mergulhar na rica obra do compositor Monsueto, a equação é perfeita, sem chance de erro. É o que acontece em Baita negão, quarto CD da cantora, lançado pelo nobre selo do Sesc SP com patrocínio da Petrobras.

O título aproxima, mostra intimidade. Virginia confessa no encarte que só conhecia os sucessos de Monsueto que fazem parte do repertório de grandes intérpretes. Mesmo que o nome do compositor não soe tão familiar para o grande público, ele tem músicas que fazem parte do inconsciente coletivo como Me deixa em paz, Mora na filosofia, Lamento da lavadeira entre outros.

A partir desse senso comum Virginia mergulhou mais fundo. "Tive o prazer de descobrir outras músicas cheias de humor, perspicácia e sacadas geniais", comemora. "E também algumas que alfinetam uma sociedade por vezes injusta", completa a cantora. Nesse trabalho de pesquisa para o álbum, Virginia tomou intimidade com a obra de Monsueto. A partir daí imprimiu sua marca, e abriu espaço pra desfilar o vozeirão em sambas modernos e extremamente elegantes.

Cada uma das onze faixas junta a música de Monsueto, a voz de Virginia e a concepção de um produtor diferente. Mesmo com essa opção o resultado é harmônico e amplia as possibilidades musicais. A lista inclui nomes de estilos diversos, indo desde o samba festivo do Quinteto em Branco e Preto (Mané João) até a harmonia sofisticada de Celso Fonseca (Mora na filosofia). O Quinteto da Paraíba veste de cordas o medley que junta Morfeu e Nó molhado enquanto o pianista Geraldo Flach capricha no sentimento em Faz escuro mas eu canto.

Martinho da Vila adora inserir conversas antes da música, e aqui em sua participação aparece didática e divertida. Conversando com Virginia sobre a homenagem em Eu quero essa mulher assim mesmo Martinho aparece vigoroso e forte na versão moderna concebida por Skowa. "Martinho, eu to muito feliz por você estar aqui comigo", declara Virginia. O dueto é memorável.

Jair OIiveira quebra A fonte secou enquanto Swami Jr carrega a percussão e acompanha no baixo o Lamento da lavadeira, sempre destacando a força da interpretação da cantora. O CD termina em altíssimo astral com a Nailor Proveta e sua genial Banda Mantiqueira em um medley que junta sambas cheios de humor, com a metaleira em brasa pronta para gafieira. O Pout-pourri Baita Negão soma Aula de samba francês, Retrato do Cabral, Maria Baiana, Não tenho nada com isso e Ziriguidum.

Compositor, músico, ator, artista plástico, Monsueto era plural. A justa homenagem resgata um pouco da história do "baita negão". Mais nova amiga, Virginia Rosa traz com novas cores o repertório do compositor e põe sua marca sambando cheia de graça. Virginia confirma seu talento de grande intérprete e traz Monsueto para 2008 provando que sua obra é atemporal.


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