Um samba meio futurista de Micheline Cardoso
Cantora lança terceiro CD com samba para as pistas

por Beto Feitosa
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Terceiro título da discografia de Micheline Cardoso, o CD Samba plugado segue o clima festivo e animado da cantora. O repertório entrelaça o samba carioca com instrumentos eletrônicos em um resultado muito interessante e agradável. O lançamento independente dá nova chance a faixas já apresentadas nos dois trabalhos anteriores de Micheline: Samba de pista (2004) e Nu:Samba (2007), esse lançado apenas no exterior.

"Eu tenho um banquinho e um violão", garante em Pelas ruas carregando ainda pandeiro e tamborim noite afora. "A gente precisa se conhecer..." anuncia na mesma música. Micheline tem energia e juventude na voz aguda e afinada. Nesse balanço mistura bossa, samba, grooves e samplers. "Se alguém perguntar por mim / Diz que eu fui por aí / Levando meu violão debaixo do braço", inclui em seu suingue.

O novo CD é totalmente autoral, trazendo parcerias da cantora com Luiz Antonio Gomes, também produtor do disco. De seu primeiro trabalho Micheline resgata Samba sem destino. Do segundo, traz Tra-lá-lá, Altos partidos, O que eu sinto, Ante, Pelas ruas e Gema. Nessa ela volta a definir seu som: "Eu fiz um samba novo, meio futurista / Um samba com batuque pra dançar na pista / Um samba bem tocado, samba com poema / E muito carioca, carioca da gema".

Sempre em clima festivo e esfuziante, o samba de Micheline está pronto para a balada. Mais preocupado em ser divertido do que revolucionário, mostra a habilidade da cantora em beber as fontes e apresentar com sua cara animada, moderna e antenada. Uma mistura globalizada que já saiu do Brasil para viajar EUA, Canadá e Europa.

Criada em um conjunto habitacional da Ordem dos Músicos do Brasil, no Rio, a cantora conviveu com grandes mestres. O caminho natural foi acompanhar o pai nas serestas e cantar em famosas orquestras. Fez vocais para artistas como Tim Maia, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho. Hoje em dia acompanha Nando Reis como uma das integrantes do grupo Os Infernais.

A festa de Micheline tem sensualidade, batuques e sacadas; está pronto para dançar. Samba plugado é diferente, mas a essência é bem conhecida. Um samba pop, defendido por uma jovem e ótima cantora. Ao invés das avenidas, samba para as pistas de dança.


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