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Marcia Castro foge do lugar-comum em primeiro CDCantora baiana mistura a tropicália, a lira e seus filhos em trabalho sem clichês O Brasil é um país de cantoras, e de toda diversidade que esse título pode compreender. Do estado que fabrica musas do axé em escala de série, aparece a ótima surpresa. O brejeiro sotaque baiano de Marcia Castro mostra um outro lado dessa história. Cheia de personalidade, ótima cantora e extremamente cuidadosa com seu repertório, a artista estréia no CD Pedacinhos, lançado pelo Estúdio Eldorado. O disco mostra que ela é chegada a uma via alternativa, não se contenta com mais do mesmo. Cheia de estilo, Marcia apresenta um trabalho sofisticado, mas altamente palatável. Sua música é inteligente, traz ecos da vanguarda, do pop que é (além do) novo. Tem espaço para uma benção no mestre Itamar Assumpção. De seu enorme baú de genialidades, Marcia pescou Tua boca. O contracanto é invertido, talvez em busca de mensagens sublimares. Mas na verdade para provar que Itamar não é nenhum bicho de sete cabeças, como muitos insistem em dizer. Apenas um trio elétrico de idéias. E isso pode assustar. Dessa escola criativa Marcia entende, e visita os filhos da lira. Quando canta o samba Futebol para principiantes, de Kléber Albuquerque, Marcia lembra até a nova baiana Baby Consuelo (bem antes da pastora do Brasil). O disco também adiantou Nega neguinha, que posteriormente o autor Zeca Baleiro retomou para seu último CD. Zélia Duncan, que tem o costume de dar seu aval a quem acredita, está no ótimo samba Barulho, de Roque Ferreira. "Passo mal de excesso, mas não passo fome", garante em Barraqueira, da conterrânea Manuela Rodrigues (outro nome para prestar atenção). Marcia também visita os tropicalistas. Logo na primeira faixa esbanja graça e inteligência em Frevo (Pecadinho), composição de Tom Zé e Tuzé de Abreu que batizou o disco. Como bônus o CD traz o louco clip da música, com participação do próprio Tom Zé. Profetas contemporâneos a ele aparecem como Jorge Mautner em Rainha do Egito e Sérgio Sampaio em Em nome de Deus.
A música de Marcia Castro é pós-moderna e descarta clichês e chicletes. Remete a um som paulistano feito por baianos, mineiros ou gaúchos de todos os cantos. Que se encontram na desvairada e múltipla cidade para juntar suas influências, idéias e criar. Marcia segue por autores que, como ela, anunciam uma música de um futuro que nunca chega. Mais moderno que a tropicália só a lira (ou ao contrário). Marcia mistura tudo. Nem toda menina soteropolitana sabe, mas essa é porta-voz de que a música baiana esconde surpresas e novidades além dos abadás e das dancinhas dos carnavais.
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