A criatividade da contra-mão
Zimbher & O'Zunido se unem em CD com tons de vanguarda

por Beto Feitosa
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Artista criativo (como em tese todos deveriam ser), Zimbher dá um tempo na carreira solo e passa a integrar uma célula com a banda O'Zunido. A história parece meio ao contrário - mas acostume-se - nada aqui está muito no lugar, e nem deve estar. O encontro está registrado no CD que o grupo/o artista/a célula lança pelo selo Cooperativa e distribuição da Tratore. "E tudo será como outrora depois / E tudo será como outrora antes (ou coisa parecida...)", meio assim.

Está tudo misturado. Adoniran Barbosa aparece em um rock and roll com ares da vanguarda paulistana. Escola-de-Samba-Mangue-Lira-Beat. Logo depois tem o acompanhamento do piano erudito de Luis Felipe Gama e uma parceria com o músico. Em Mosaicos a participação é da cantora Ana Luiza nos contra-climas de novas atmosferas.

As letras são um caso extra, vale acompanhar o encarte para não perder nada. Recheadas de ironia e poesia surpreendem com resultados inusitados e gostosos jogos de palavras. "Livre é o que surpreende / Dizer o que se sente / Não é só achar o caminho / Também saber se perder", dispara em Esquilo tranqüilo. Logo depois, em Padrões, atesta: "Todos nós sabemos que romance é ilusão / E o parto, primeira separação".

Capítulo à parte é a releitura de Geni e o Zeppelin. O clássico buarquiano é reconstruído cheio de climas e interpretações. Sendo uma música já bastante conhecida, fica mais evidente o novo tratamento. A história já foi contada e recontada, e aqui a ópera carioca vira um clip-pop urbano.

Esse CD é o terceiro trabalho de Carlos Zimbher. Compositor experimental ou performático musical, é de Brasília mas logo que chegou a São Paulo conviveu com artistas de vanguarda. Em viagem solo já soma dois trabalhos, e agora divide o momento com Gustavo Souza, Estevan Sinkovitz e Luque Barros.

Tanta criatividade pode causar estafa aos ouvidos mais acomodados. Mas para quem gosta de experimentar, desbravar, conhecer ou simplesmente se movimentar, taí uma boa opção. Meche com conceitos, incomoda, diverte e faz pensar. Ao invés de mais do mesmo, o caminho é o mais do novo.


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