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Tem pandeiro na jazz bandScott Feiner se encontra com músicos brasileiros em Dois Mundos por Beto Feitosa
Aquele mesmo pandeiro do samba pode apimentar a receita do jazz. O músico americano Scott Feiner dá esse molho no CD Dois mundos, álbum lançado pela Biscoito Fino. Para esse trabalho Scott dividiu a produção com o pianista David Feldman e juntou um grupo de músicos formado por Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax) e Alberto Continentino (baixo). O brasileiro Marcos Suzano já havia levado o pandeiro para o centro da banda no álbum Sambatown, de 1996. Mas Scott é original quando faz essa fusão com o jazz e encontra um resultado surpreendente. Substituindo a bateria da formação original de uma jazz band, Scott joga holofotes sobre as possibilidades do instrumento, aparentemente tão simples. O encontro com músicos brasileiros, ases no improviso e na criatividade, resultou em um ótimo casamento. A ponte cultural junta clássicos brasileiros e norte-americanos. Do Brasil chega a Asa Branca de Luiz Gonzaga e Alberto Teixeira e o Retrato em branco e preto de Tom Jobim e Chico Buarque. Dos EUA vem Cole Porter e seu All of you e uma composição do pianista Theolonius Monk, Monk's dream. A base, porém, é de composições do próprio artista como Conde, Dois mundos, 7 na ciranda e Under the influence, além de Contraste, parceria com David Feldman. A formação de Scott Feiner é como guitarrista. Mas em 2001 o músico esteve no Brasil e descobriu o pandeiro em rodas de samba e choro. Criativo, não demorou a perceber as possibilidades do instrumento. No álbum o pandeiro é utilizado de várias maneiras, interagindo com a banda inteira ou em formação de trios e duos. O disco foi gravado ao vivo no estúdio, possibilitando maior interação entre os músicos. Scott Feiner já tinha experimentado a mistura do pandeiro no jazz em seu primeiro álbum, de 2006. A formação do grupo que o acompanhava tinha violão, sax e baixo. Agora optou por promover esse encontro, mas com músicos brasileiros. "Em 2007 comecei a tocar com o pianista carioca David Feldman e notei que trocando o violão por piano poderia resultar numa outra versão, com sua própria sonoridade", explica em texto publicado no encarte do CD. "Essa mudança sonora me inspirou a gravar este novo CD, Dois mundos", apresenta. "Um americano no Brasil... o pandeiro no jazz. Estes são meus dois mundos", comemora.
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