Marisa de verdade
Novo DVD de Marisa Monte apresenta documentário sobre a turnê

Assim como seu último show desconstrói os luxuosos cenários para vazar os bastidores, em seu novo DVD Marisa Monte mais uma vez virou a câmera para trás. Ao invés de registrar um espetáculo, Marisa Monte optou por mostrar os bastidores da turnê Infinito ao meu redor, um dos mais esperados lançamentos do ano.

Com mais de 500 horas de registros da câmera de Dora Jobim, o filma dirigido por Vicente Kubrusly ganhou forma com roteiro dividido entre a própria Marisa Monte e Cláudio Torres. O documentário teve sua primeira exibição pública para um grupo de convidados em um cinema carioca e chega ao mercado no final de outubro em uma parceria do selo da cantora, Phonomotor, com a EMI.

O filme é narrado pela própria Marisa que dá pistas de sua vida, passa pela carreira e foca essencialmente no dia-a-dia de trabalho durante uma turnê. O roteiro é muito bem amarrado e envolvente, a narrativa encadeia idéias e informações, lembrando o premiado curta Ilha das flores, de Jorge Furtado (1989).

"Queria mostrar o trabalho atrás da música", comenta a cantora logo no início. A partir daí o filme viaja com Marisa e trupe por dois anos, cinco continentes, 750 mil expectadores e outros números resumidos (e comemorados) no final. O dia-a-dia de entrevistas repetindo sempre as mesmas respostas para as mesmas perguntas, aeroportos, fãs, viagens de ônibus, encontros com artistas, hotéis, malas que não fecham e passagens de som mostram a equipe como um grupo de trabalhadores.

Marisa Monte surpreende quando fala abertamente sobre os rumos do mercado fonográfico e a recente fraude da filial brasileira da EMI, que repercutiu em todo o mundo. "Foi uma crise dentro da crise", definiu a cantora que recebeu a notícia do escândalo no meio de sua tour pelos EUA. Apesar de passar por essas turbulências da profissão, o filme carrega nos momentos de bom humor.

A aura de perfeição milimétrica que cerca todas as produções da cantora, deixa no ar a curiosa dúvida: até onde é realmente um documentário e a partir de quando a cantora está interpretando? Fica valendo a brincadeira de buscar por um limite entre realidade e ficção que, no fim, nunca vai ser encontrado. Nesse ponto Marisa lembra Madonna quando, na década de 90, levantou a mesma dúvida com o filme Na cama com Madonna. Mas sem precisar de escândalos, o diário de Marisa Monte tem censura livre em momentos de informação e lazer.

Quando as cortinas abrem a cena corta, salvo em pequenos trechos de shows com divertidos erros e focando a reação do público. Muitos flashes de câmeras digitais e celulares. Para quem reclamar da falta de música, há de bônus um CD com nove músicas e seus clips no menu de extras. Entre lados B, tem composições inéditas como Não é proibido, chiclete pop que já caminha nas rádios. Mas essa parte fica em segundo plano, sem maior interesse. Quem sabe um aperitivo para um futuro segundo DVD da turnê com o show.

Cenas de bastidores não são raras nos caprichados vídeos de Marisa Monte. Tanto em Mais (1992) quanto em Barulhinho bom (1996), a cantora opta por ir além do show e desvendar um pouco de seu trabalho e momentos especiais. Mas nunca tão fundo. Infinito ao meu redor é realmente um filme, documentário de um diário de bordo.

Mais uma vez Marisa Monte coloca um bom produto no mercado. O documentário é valioso por tirar o glamour do artista, despir o figurino de diva. Aqui Marisa brilha dando duro no trabalho, em um filme que desvenda o que o público não vê.

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