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Samba Social Clube junta grandes nomes em CD e DVDRegistro traz noite de festa, samba e homenagens por Beto Feitosa
Sucesso no dial carioca, o programa Samba Social Clube ganha uma animada versão em CD e DVD. O material vem de um show gravado na Fundição Progresso (Rio) em julho de 2008 e reúne uma comissão de frente de grandes artistas com repertório de clássicos certeiros e homenagens. Além desse pacote, a gravadora EMI reservou material para um segundo volume, com lançamento previsto para o início de 2009. O clima é de festa, como todo encontro de samba. Uma única banda acompanha todos os artistas, com direção musical e arranjos do experiente Paulão 7 Cordas. Em alguns momentos fica clara a necessidade de mais ensaios, a informalidade de um bom pagode pode funcionar ao vivo, em registro para a posteridade nem sempre. É o caso de Luiz Melodia em Tristeza. Apesar de ser notória a habilidade do cantor para esse tipo de repertório, aqui a impressão é que o intérprete não está à vontade no tom escolhido. Como vem acontecendo cada vez com maior freqüência, Roberta Sá é destaque com Pressentimento, parceria de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho. A música já foi gravada por Roberta em seu primeiro álbum, que não teve lançamento comercial mas pode facilmente ser encontrado na internet. Cheia de graça, afinadíssima e elegante Roberta é uma bem vinda janela aberta nas bocejantes paradas de sucesso. Sua participação nesse tipo de projeto além de ampliar seu crescente público traz interpretações memoráveis como essa, melhor momento do álbum. Depois de ser repaginada e modernizada por Zeca Baleiro, Bola dividida volta ao samba na voz de Diogo Nogueira. A letra tem graça e Diogo se sai bem, mas a recente releitura pop de Baleiro causa impacto maior com ares de novidade. Quem também pega pela ironia é Zeca Pagodinho, que abre o disco com a divertida É preciso muito amor. Beth Carvalho pisa em terreno minado quando canta O bêbado e a equilibrista. A presença da versão de Elis Regina é tão forte que o público completa seguindo o arranjo original, de 1979. Beth faz sua homenagem e assume um papel de reverenciar. Merecia voar mais alto evitando as inevitáveis comparações. O show traz damas do samba de diferentes gerações. Dona Ivonne Lara canta Mas quem disse que eu te esqueço, parceria dela com Hermínio Bello de Carvalho. Já Teresa Cristina traz sua voz delicada para o grande clássico Tristeza pé no chão, sucesso de Clara Nunes. "Salve Clara", saúda a musa da Lapa antes de começar a cantar. O repertório de Clara volta em O mar serenou, muito bem com Jorge Aragão. Outras grandes cantoras são lembradas. Do repertório de Ângela Maria, Mormaço de João Roberto Kelly, ganha vez no vozeirão de Alcione, que arranca aplausos do público no meio da música. Chega a vez de Fernanda Abreu, surpreendente em Salve a Mocidade. "Salve Elza Soares que eternizou esse samba", dedica a garota carioca. Lenine, que não chega a ser um estranho no ninho do samba, se sai bem em Esperanças perdidas. Espécie de Festa de arromba do samba atual, o hino do programa fecha o disco e foi composto por Arlindo Cruz e Marcelinho Moreira. Ganha destaque com os dois autores acompanhados pelo Casuarina. "Quando está feliz o brasileiro samba / Seu DNA é terreiro de bamba", garante a letra. Samba Social Clube segue uma vitoriosa receita de juntar grandes intérpretes em uma festa de músicas inquestionáveis. Normalmente funciona e desperta curiosidade. Aqui o roteiro segue a ótima seleção de sambas do programa de rádio transmitido pela MPB FM carioca. Tipo de projeto que pode virar série depois desses dois primeiros volumes. O público adora, o mercado comemora.
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