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Dani Gurgel puxa cordão com novos nomesEm seu segundo CD cantora junta jovens compositores por Beto Feitosa
Uma geração chegando. Eles têm pouco mais de vinte anos, e muita vontade de quebrar as barreiras e fazer música de verdade. Em seu segundo CD, a cantora e compositora Dani Gurgel se posta como voz dessa geração de compositores, na qual ela se inclui. O disco Nosso, lançado pelo selo Dapávirada com distribuição da Tratore, junta a turma e amarra o assunto. A idéia surgiu durante as duas temporadas do projeto Dani Gurgel e novos compositores, que apresentou em 2007 para o público paulistano. A cada semana Dani recebia um novo convidado, e o show era reconstruído. O roteiro iluminava a obra do convidado da vez e incorporava sempre algo dos que já tinham passado ou dos que ainda iam chegar. Ato no mínimo corajoso de focar um show em material inédito enquanto o movimento musical parece voltado para o passado e a eterna revisão de mais do mesmo. A partir dessa temporada Dani Gurgel catalisou a turma de compositores que traz nomes talentosos que estão começando a chamar atenção do público antenado em (boas) novidades. Passam talentos latentes como Vinicius Calderoni, Giana Viscardi, Dani Black, Debora Gurgel, Thiago Rabello e a própria Dani entre outros. Único nome veterano da lista, Vicente Barreto aparece com sua Santuário do pau de aroeira em parceria com Caê Rolfsen. Dani encontra sua música em uma linguagem de um jazz jovem, que traz muitas cores do samba e até uma liberdade pop de permitir cantar junto. Nosso tem uma despretensão sofisticada. A base musical, toda gravada ao vivo, é feita por bateria, piano, baixo e violão. O disco flui inteiro agradável e cheio de surpresas. Os arranjos de extremo bom gosto são variados sem perder o norte do jazz com cores brasileiras e influências de quem está ligado no mundo. Basicamente música feita por quem ama música, e não para quem quer estabelecer uma carreira em busca de uma foto na revista semanal. Ela não se coloca como porta-voz, não levanta bandeiras e nem ao menos propõe teses. Apenas uma visão privilegiada de sua turma. O coletivo, o "nosso" do título. Antenada Dani teve idéia e atitude. Transformou os encontros do palco em seu segundo trabalho com ótimo resultado, mostrando informalmente que a música brasileira tem sim um nobre presente e muita força para o futuro, ao contrário do que reza o cego senso comum. Simples assim.
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