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Marcia Lopes veste clássicos com roupagem jazzCantora paulistana lança no Brasil CD editado há dois anos no Japão por Beto Feitosa
Dois anos de seu lançamento no mercado japonês chega ao Brasil o segundo CD da cantora paulistana Marcia Lopes. Licenciado pela Lua Music, Bonita traz uma intérprete de bela e límpida voz com repertório focado em sucessos da música brasileira e alguns standards em inglês, sem grandes surpresas. A charmosa releitura de E o mundo não se acabou, dos melhores momentos do disco, junta o violão de 7 cordas de Swami Jr (autor do ótimo arranjo), violão tenor de Mario Manga, viola de Fábio Tagliaferri e percussão de Adriano Busko . Marcia esbanja graciosidade na voz e mostra aqui do que é capaz. O mesmo clima está na faixa seguinte, Lábia, parceria feita para o teatro por Edu Lobo e Chico Buarque, autor mais presente no disco. Quatro das treze faixas trazem sua assinatura. O repertório não se esmera em procurar o diferente. Segue um caminho de músicas bastante conhecidas, em que Marcia busca sua identidade nas leituras que opta. A voz límpida e perfeita encontra arranjos de feras como Swami Jr. e Mario Manga em ambientes intimistas que primam pela elegância. Marcia pinta com cores brasileiras a cinematográfica Moon river, de Henry Mancini e Johnny Mercer. O clássico-beatle She's leaving home segue o arranjo original no diálogo das vozes com o cello mas, apesar de belo, não decola. Globalizando o set list ainda inclui The nearness of you. Apesar de juntar grandes músicos e uma ótima cantora, o disco tem tom morno, principalmente na segunda metade. Até quando relê o samba Quem te viu, quem te vê, segue pelo caminho intimista de um jazz club. Marcia sai da "galeria" e opta por "sambar na pista" em um segundo momento, com melhor resultado. O final da música destaca um belíssimo diálogo entre os músicos da banda. Como bônus o disco traz duas gravações com o cantor Rodrigo Rodrigues, do Música Ligeira, falecido precocemente. Em Coração vagabundo ele toca o violão-bossa que acompanha a voz bem colocada da cantora. Depois a voz de Rodrigo faz dueto com Marcia em Boneca de pixe, de Ary Barroso e Luiz Iglesias. Abrindo e fechando o disco com releituras de Carmen Miranda, a cantora mostra que tem humor e cadência. Esse encontro do jazz de Marcia com o samba de Carmen pode render ótimos momentos, merece mais registros. Bonita é um disco com classe. A receita de músicas conhecidas vestidas com arranjos de jazz tem público certo. Sem ousar, Marcia fez um disco belíssimo e correto. Bom repertório popular para noites de gala.
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