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Hyldon de volta e em boa companhiaPrimeiro disco de inéditas em 19 anos tem convidados discretos por Beto Feitosa
Sucesso na década de 70, quando as paradas populares das rádios traziam pérolas como Dores do mundo e Na rua, na chuva, na fazenda, o cantor e compositor Hyldon lança Soul brasileiro, primeiro disco de inéditas em dezenove anos. O novo trabalho, produção independente lançada por seu selo DPA, traz participações discretas de Chico Buarque, Zeca Baleiro, Carlinhos Brown e Frejat. Quem ouvir o disco sem acompanhar a ficha técnica, vai ficar sem saber. Mas Chico Buarque participa tocando sua kalimba em Medo da solidão. Na bela A moça e o vagabundo Zeca Baleiro, parceiro de Hyldon na música, faz a base no violão de nylon. Quem também participa dessa faixa é Zé Menezes, na viola caipira. O músico, de 84 anos, já acompanhou Carmen Miranda. Já Roberto Frejat colocou sua guitarra em Rapaz de São Paulo, enquanto o também Barão Mauro Santa Cecília divide com Hyldon a composição e participa de O último latino-americano, que fecha o disco e soma ainda a voz de Karla Sabah. Carlinhos Brown fez a produção e tocou sete instrumentos em Bahia com H, faixa que sucede o curioso Choro do Brown. Os cantores Jorge Vercillo, Dalto, Carlos Dafé, Tunai e Carlinhos Vergueiro estão nos vocais de O vento do mar, balanço com sabor de black music e um único verso: "Vem o vento lá do mar". Antenado com a música atual, Hyldon abre espaço também para a família. E sua filha, assinando como MC Yasmin, evolui uma interseção hip hop em Brazilian samba soul, música que sintetiza a mistura sempre proposta na música de Hyldon: é a black music norte-americana com um molho verde-amarelo, onde cabem balanços do samba e de outros ritmos. Miscigenação carnavalesca, com direito a cuíca. Até mesmo o exímio violonista Guinga, que não está presente fisicamente, é evocado em A viola e a moringa (Guinguiana).
A paisagem musical hoje é bem diferente da época em que Hyldon estourou. Mas a obra do cantor atravessa essas três décadas com inúmeras regravações e sempre de volta entre as mais tocadas. Só por esse mérito Hyldon já merece um lugar especial na história. Mas ele consegue se manter criando e reinventando, aberto ao que acontece no mundo. O novo álbum não traz a força de seus grandes hits, mas abre o baú e revela a produção atual do compositor. Bons momentos em ótima companhia, sem grandes pretensões ou projetos mirabolantes. Apenas uma turma de amigos que se encontra na música.
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