Maestro de grandes clássicos populares, Francis Hime comemora seus 70 anos com dois trabalhos, editados em um luxuoso box duplo pela Biscoito Fino. O primeiro CD, O tempo das palavras... junta repertório inédito ao lado de parceiros novos e habituais. Já em ...imagem quem brilha é o pianista, interpretando músicas que compôs para trilha sonora de filmes brasileiros.
O primeiro disco traz parcerias de Hime com Joyce Moreno, Geraldo Carneiro, Olivia Hime, Edu Lobo e Paulinho Pinheiro . Além dos companheiros de velha data, Hime ainda estréia dobradinha com Moska em Há controvérsias, conversa entre caros amigos. As 12 faixas apresentam ao mundo repertório basicamente inédito, exceção feita a O sim pelo não, de Francis e Edu Lobo, já gravada por Olivia Hime e presente no CD-tributo que Hime ganhou da cantora Clara Redig.
Da dupla que forma com Joyce Moreno vem duas das melhores novidades da nova safra. O sedutor samba Adrenalina abre o disco com sabor de seus melhores sucessos. Mais na frente os dois voltam a se encontrar em Rádio cabeça, com climas nordestinos e letra que celebra uma programação bem íntima e particular de cada um. "A rádio na cabeça toca sem querer / A música que mora dentro de você", diz a música pede uma segunda versão no balanço de Joyce. Com o poeta Geraldo Carneiro, seu parceiro mais constante, traz nada menos que seis novidades, metade do disco. Destaque especial para Existe um céu, bossa jazz com cheiro de clássico.
Comemorando a data redonda, o próprio compositor dá voz à sua obra cheia de novidades. Francis canta de forma agradável, com voz de compositor a exemplo do parceiro Chico Buarque - presente apenas em leituras instrumentais do segundo disco. Mas Francis ainda convida a voz precisa de Monica Salmaso para dividir Maré, que destaca a harpa cheia de climas mágicos de Cristina Braga.
O segundo volume traz o luxo de um concerto do maestro revisitando o compositor. É o primeiro trabalho de piano solo estrelado por Francis, que aproveitou para fazer um balanço de suas composições para o cinema brasileiro. Pilotando um nobre Steinway de cauda disponível no estúdio da gravadora, no Rio, Francis se deliciou e estudou nota a nota, readaptando os arranjos para a leitura solo. Passam pelas teclas de Hime cenas de filmes como Dona Flor e seus dois maridos, A estrela sobe e A noiva da cidade.
Juntos, os dois discos fazem o retrato de um artista que tem transito livre na música, seja em sambas ou em sinfonias. Francis Hime comemora 70 anos em plena atividade relendo o passado e criando o presente. Autor de inúmeros clássicos, prefere o caminho de continuar construindo a obra ao invés de seguir as releituras - comum a seus contemporâneos. Assim Francis escreve novas imagens e cenas para sua imensa e rica obra. O tempo das palavras é hoje.