Kléber Albuquerque canta o amor do seu jeito
Compositor lança quinto CD com sua visão para a música romântica

Os modernos também sabem ser românticos. Isso fica provado no quinto CD do ótimo compositor Kléber Albuquerque. Em Só o amor constrói, lançado pelo selo Sete Sóis com distribuição da Tratore, o artista junta canções que falam sobre amor, desilusão, solidão, separações e incertezas. Cardápio habitual para qualquer ídolo de churrascaria.

A referência de Kléber vem das estações de rádio AM que ouvia em sua infância em Santo André, cidade do ABC paulista. Para reconstruir e recriar ao seu estilo essas lembranças, Kléber está ao lado da Miniorquestra de Polkapunk, banda que criou para acompanhar seus shows. A formação junta André Bedurê (baixo), Estevan Sinkovitz (guitarras), Gustavo Souza (bateria) e Paulo Souza (serrote, isso mesmo). Essa base vem testando no palco, há dois anos, o repertório gravado no disco.

Kléber Albuquerque é compositor criativo, no sentido mais amplo. Até mesmo quando recria uma música já tão conhecida e cantada por aí como Esquadros. Reconstruído livremente, o blue hit de Adriana Calcanhoto ganha ensolarada versão ska. Conhecida no minimalismo de voz e violão, a música ganha cores festivas. Se não traz a assinatura de Kléber na composição, a concepção é totalmente nova e dele. Assinatura artística em primeiro plano.

As demais músicas são todas composições próprias. A faixa-título abre o disco com a irresistível letra que deixa passar as intenções não convencionais das canções românticas de Kléber. "Só o amor constrói, mas depois manda a fatura / Com juro das juras que fizeste por mim", dispara com o habitual humor. Achados criativos como esse sobram na obra de Kléber Albuquerque.

A solidão passa por Tevê, parceria com Zeca Baleiro, e em Dia de estrelas, com Élio Camalle. O dia-a-dia-cotidiano está em Seis horas, dobradinha com Adolar Marim que tem uma bateria de lata simulando o bate-estaca de uma linha de montagem: "Pra viver de faz-de-conta / Trabalhar pra pagar conta". Com Fred Martins compôs O outro eu, que canta em dupla com o parceiro. Tudo para no final terminar com a bossa Ponto final: "O amor não merece / Ficar de mal / Voltar mais uma vez / Ao era uma vez".

Só o amor constrói. E só os artistas criam e recriam, abusam da ousadia e extrapolam limites. Assim é Kléber Albuquerque e sua música, tão própria, tão cheia de digitais. Ao mesmo tempo coletiva, cresce na troca com a banda e parceiros. O disco brinca com clichês para ser vanguarda não acomodada. Os modernos também sabem ser românticos. Só que de uma maneira diferente.

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