O lero ousado de Luísa Maita
Primeiro trabalho da cantora tem repertório autoral e digital própria

A cantora paulistana Luisa Maita lança seu primeiro CD, Lero-lero, parceria do selo Oi Música com o Phonobase. O título remete imediatamente ao grande sucesso de Edu Lobo, mas o álbum de Luísa é um trabalho autoral e com a digital ousada da artista.

Ela própria compôs o samba-xará, que abre muito bem o disco apresentando as idéias de Luísa. O álbum traz uma música urbana e moderna com fortes pés em ritmos tradicionais. É ousado no formato, com concepções livres. Em Lero-lero o cavaquinho conversa com os beats eletrônicos em um ambiente bem pensado e construído com muito cuidado. Já em Alívio a mistura junta a tradicional viola com a programação para provocar cheia de climas: "Quem nunca pirou / Ao mergulhar nesse mar / Quem nunca sentiu / Um samba cá de Candeia". Os diálogos estão em toda parte, como em Amor e paz, que fecha o álbum homenageando João Gilberto. Em Fulaninha são ecos de rimos nordestinos que passam pela rabeca de Siba e encontram par na programação de Paulo Lepetit.

Luísa procura letras que retratem o cenário urbano, personagens cotidianos e seus sentimentos. Os motoboys paulistanos serviram de inspiração para Alento, história de trabalhadores e seus problemas. Corte para o coração apaixonado na boca e os sentimentos à flor da pele de Aí vem ele.... Pés no chão e Fulaninha passa para o momento de equilibrar e escolher um caminho. A harmonia vai chegar em Um vento bom, sereno lounge que flutua e resume: "Agora é hora de viver".

Na hora de se procurar referências, Luisa Maita fica em algum lugar entre uma Vanessa da Matta bem afinada e uma Céu menos planetária e mais brasileira, mas não menos interessante. Universalizando texturas regionais, o disco traz forte marca de seu co-produtor, Rodrigo Campos. O nome do artista também aparece na composição de Maria e moleque e emDesencabulada, parceria com Luis Felipe da Gama que foca a periferia com poesia. A presença de Rodrigo está ainda na banda, tocando violão, cavaquinho, repique, tamborim e surdo.

De nobre família musical, é filha do compositor Amado Maita e sobrinha de Daniel e Benjamim Taubkin. Desde seu batizado a música estava presente, já que seu nome foi inspirado em Ana Luisa, canção-musa de Jobim. Antes de registrar a bela voz em disco, Luísa Maita já havia sido gravada por artistas exigentes como Virginia Rosa e Mariana Aydar. Também participou do elogiadíssimo trabalho do parceiro Rodrigo Campos, São Mateus não é um lugar assim tão longe, de 2009.

Já editado no exterior, o lero de Luísa Maita revela uma artista de personalidade forte, boas idéias e nobres propostas. Ela não requenta nenhum caminho conhecido, mas usa as referências para buscar sua própria linguagem. Lero-lero é um disco relevante, dessas estreias que sinalizam surgimento de grandes artistas.

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