Ótima estreia para Do Amor
Grupo carioca surpreende em primeiro álbum

Depois de um EP promocional lançado em 2007, o grupo carioca Do Amor estréia em um trabalho batizado com o próprio nome. O disco tem produção dividida entre os selos + Brasil e Estúdio 304 com distribuição da Tratore. Paralelo ao lançamento em CD com edições luxo e simples, o álbum também será editado de forma digital e em dois formatos de vinil: LP e compacto.

A banda é formada por Gustavo Benjão (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria e voz), Gabriel Bubu (guitarra e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz). Nos três anos de existência dividiu trabalhos com a cantora Nina Becker, Jonas Sá e Rubinho Jacobina. Dois de seus integrantes (Ricardo e Marcelo) participam da banda que acompanha Caetano Veloso em seus últimos álbuns, enquanto Bubu vem do grupo Los Hermanos. Apresentações feitas, chega o álbum Do Amor.

Produzido pelo experiente Chico Neves, o trabalho tira o grupo do circuito indie sem descaracterizar o som. Muito bem realizado e apresentando ótimas novidades, o disco surpreende de forma muito positiva. O grupo segue a cartilha da mistureba pop sem receita definida em um imenso encontro de ritmos, idéias e boa dose de ousadia. Mas sem querer chocar para se impor. Isso acontece naturalmente pela qualidade do trabalho e pela sucessão de boas sacadas que fogem do lugar-comum.

Com vocais desencontrados e chavões, o grupo brinca com os clichês na divertida Dar uma banda. Mas chavão não é mesmo a praia deles, que passam pelas 14 faixas alternando sonoridades, estéticas, escolas e intenções. Da irresistível levada pop com direito a vocais-jovem guarda de Meu corpo ali até a experiência reggae com ecos psicodélicos em Brainy dayz a distância é de apenas uma faixa.

Única música não autoral (pelo menos na assinatura), Lindo lago do amor fecha o disco. O sucesso de Gonzaguinha é desconstruído antropofagicamente sem a menor cerimônia e volta em novas águas. Mas os ritmos da raiz brasileira também podem passar como o samba em Morena russa ou na viagem até o norte em Isso é carimbó. Em Pepeu baixou em mim brincam com a música baiana cheio de gaiatice carioca: "Ai que vontade louca de cantar lá na Bahia". Mas nada impede e logo vem um rock industrial cantado em inglês, Exploit.

É um disco de banda com DNA novo e definido. Agrada no inesperado, nas idéias que pintam e também na competência dos músicos. A produção soube encontrar a dose ideal de ousadia para o trabalho que efetivamente marca a boa estreia do grupo. Do Amor pega de primeira.

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