As coisas simples de Vanessa da Mata
Novo CD da cantora tem clima delicado que revela surpresas

Vanessa da Mata vive momento musical mais delicado. A cantora, que em 2004 estourou nas pistas na cola de um remix para Ai ai ai... está de trabalho novo no mercado. Em Bicicletas, bolos e outras alegrias, lançamento da Sony Music com patrocínio do projeto Natura Musical, ela mostra menos urgência. Umas reflexões e idéias sem peso, tudo muito leve e cotidiano. Em princípio.

Seu quarto trabalho não está propriamente (ainda) vestido para a festa, mas tem farto material radiofônico, levadas que pegam e refrões chiclete. É um drops de delícias pop, baladas, um toque de África e um chão de Brasil; tudo muito bem embaladinho em bom papel. Para encontrar esse caminho simples e delicado, Vanessa está cercada de músicos de linguagem moderna, chegados a experiências e flertes com uma vanguarda pop. E isso faz a diferença nas entrelinhas que vão se abrindo.

Se superficialmente parece tranquilo e corrido, os arranjos revelam guitarras, programações, linhas de baixo e percussão cheias de surpresas e boas idéias. Elas não estão gritando, mas presentes o tempo todo tornando universal a linguagem que nasce com cores regionais. Nessa aventura bem sucedida Vanessa divide os arranjos com Stephane San Juan, Donatinho, Gustavo Ruiz e Kassin, que também fazem parte da banda.

Sem complicações, a compositora pode se inspirar em um cotidiano banal. Como na clássica cena da mulher em frente a uma obra na divertida Fiu fiu, que flerta com velhos clichês eletrônicos. A música brinca também com padrões de beleza: "Eles adoram mulheres air bag / E nós emagrecemos para as amigas, inimigas todas". Ou uma festiva comemoração de parabéns, com ares de Benjor em Meu aniversário. O rock experimental e idéias tropicalistas aparecem em Bolsa de grife, baião/pop/eletrônico com todas as cores dos Mutantes.

Despida de pudores, descarta o romantismo e abre as negociações em Moro longe: "Se eu for aí, faça valer a pena", avisa. Antes porém, em Te amo, Vanessa já utilizou a fórmula das baladas perfeitas com direito a moldura de cordas. Também volta ao assunto em O tal casal, faixa que abre o disco e foi escolhida como primeiro single - já em alta rotação nas FMs. "É tão melhor viver em paz / Ninguém me faz sentir assim", sonha na letra.

Vanessa assina sozinha dez das doze músicas do álbum. Abre honrosas exceções para atravessar o Atlântico que liga com a mãe África e soma Lokua Kanza em . Também celebra uma parceria dupla com Gilberto Gil: além de assinar a composição ela ainda divide vocais com ele em Quando amanhecer, que encerra o disco. Quase como uma canção contemplativa de ninar, a gravação traz apenas o vilão de Gil e o vibrafone de Arthur Dutra pregando pequenos cristais na melodia.

Tudo é muito livre e leve. O disco passa sem urgências ou alardes. Pega na primeira audição e guarda surpresas que se revelam nas seguintes. Vanessa da Mata é cantora com estilo e idéias, sabe bem escolher repertório e parcerias. Bicicletas, bolos e outras alegrias é, simples, a continuação dessa história.

 
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