Três retratos de Johnny Alf
Box homenageia compositor entre amigos

Um box com três CDs, lançados pela Lua Music, homenageia o compositor Johnny Alf. Em Entre amigos cada álbum tem seu próprio conceito. Em Johnny Alf por seus amigos estão os grandes sucessos em releituras de seus amigos e parceiros. Segue Alaíde canta Johnny em tom de canção, justo tributo por Alaíde Costa com músicas menos conhecidas. O pacote termina com Johnny Alf ao vivo e à vontade com seus convidados com gravações e duetos inéditos.

O projeto é capitaneado pelo produtor Thiago Marques Luiz. Em entrevista por telefone ele conta que a idéia nasceu a partir do desejo de Alaíde Costa de gravar um disco com músicas do amigo em repertório que já apresentava em shows. Fã confesso de Alaíde, Johnny não chegou a ouvir as gravações da cantora.

Alaíde, grande dama da canção, sempre elegante apresenta repertório bem particular. Íntima da obra de Johnny, deixa de lado os grandes clássicos do compositor para focar em músicas menos conhecidas. E revela lindas pérolas como Tema da cidade longe, Se eu te disser, Escuta e até a inédita Em tom de canção. Em Quem sou eu Alaíde junta voz com Zé Luiz Mazziotti. Já em Plenilúneo é acompanhada pelo duo formado por Gilson Peranzzetta (piano) e Mauro Senise (sax).

   O que era para ser um belo álbum de Alaíde ganhou vulto maior. E nessa homenagem o compositor tem seus maiores clássicos revividos por amigos, parceiros e artistas com quem tem afinidade. O time escalado no disco-tributo inclui Joyce Moreno (sempre elegante no samba-jazz Fim de semana em Eldorado), Leny Andrade (O que é amar), Leila Pinheiro (Eu e a brisa), Zé Renato (Céu e mar), Emílio Santiago (Nós) e Wanderléa (Ilusão à toa) entre outros.

Completando o box gravações inéditas de Johnny aparecem no álbum Ao vivo e à vontade com seus convidados. O acervo foi apresentado a Thiago por Nelson Valencia, que foi empresário do compositor nos últimos 20 anos de sua carreira. O foco aqui é o inusitado. A dupla priorizou, entre dezenas de gravações de show, um repertório que não havia sido gravado por Alf. No meio do caminho encontrou preciosos duetos com Cida Moreira (de arrepiar em A noite do meu bem), Leny Andrade (Nós), Ed Motta (abusando dos improvisos vocais em Fly me to the moon e Que volte a tristeza) e o encontro com Cauby Peixoto (em clássicos como Ilusão à toa, Se todos fossem iguais a você e Gesto final).

O álbum também revela uma inusitada releitura para Tempo à bessa, composição de João Nogueira só gravada anteriormente por Clara Nunes. "Ele só cantou essa música naquele show", conta. "A qualidade nem está tão boa, mas vale pela curiosidade e o documento que é", revela Thiago. "O álbum é um bom panorama do que era o Johnny ao vivo", comemora o produtor.

"A música inspirava a vida e juntas davam ao artista o material para elaboração de sua obra", revela com poesia Valencia em texto publicado no encarte do terceiro álbum. "Afinal, como dizia o próprio Johnny: 'O que importa é a música'", finaliza com propriedade.

Entre músicos, parceiros, seus intérpretes e pessoas que beberam em sua rica fonte artística, o box cumpre sua função e traz Johnny Alf entre amigos. O clima é de confraternização e amor. A obra do compositor ganha um painel variado fotografando uma história que merece muito mais atenção e pede redescobertas e - sempre - novas leituras como essas.

Compartilhe: envie link pelo Twitter envie link pelo MySpace envie link pelo Facebook envie link por e-mail

 
+ conteúdo relacionado
comente aqui    comente aqui
BUSCA    BUSCA: Johnny Alf
Ouça aqui a entrevista:

matéria anterior:
  • Documentário de Geneton Moraes Neto traz depoimentos
    de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Mautner e Jards Macalé
  • ÚLTIMOS LANÇAMENTOS