Zezé Motta junta Melodia e Macalé em novo CD
Dez anos depois do último disco a cantora busca obra moderna dos compositores

Zezé Motta volta ao disco em Negra melodia costurando a obra de Luiz Melodia e Jards Macalé. Projeto idealizado e produzido por Thiago Marques Luiz, o álbum chega ao mercado como um dos primeiros lançamentos do selo Jóia Moderna, criado e dirigido pelo DJ Zé Pedro, e distribuição da Tratore.

O álbum celebra a maturidade artística de Zezé Motta com fôlego jovial da (re)descoberta. Zezé está à vontade no repertório pós-tropicalista e livre dos compositores, nenhum dos dois novatos em seu repertório. Na década de 70 Zezé brilhou nas rádios com Dores de amores gravada em duo com o compositor Luiz Melodia, de quem também cantou Magrelinha entre outras gravações. Macalé aparece dois álbuns depois com Sem essa, parceria dele com Duda.

Mas a grande atriz com o tempo sufocou a ótima cantora. Por seus marcantes papéis na TV e no cinema a cantora Zezé Motta ficou em um injusto segundo plano. Seus três primeiros LPs solo (lançados entre 1978 e 1980) dão o retrato de uma intérprete de repertório inteligente, voz afinada e de belíssimo timbre e cheia de boas intenções. O mesmo brilho não se repetiu em 2000, quando lançou álbum em homenagem a Elizeth Cardoso.

Dez anos separam esse trabalho do anterior. Mas Zezé parece mais jovem quando visita o lado B de Melodia e Macalé, dois gênios que carregaram o rótulo de "compositores malditos" pelo simples fato de não rezarem pela cartilha do convencional. Zezé Motta se une aos dois e mostra perfeita sintonia. Seu novo trabalho é um disco de produção simples, sonoridade de banda. Agora que a indústria que fabricou ídolos instantâneos agoniza, a beleza que ficou escondida no lado B do mundo mostra seu brilho. Negra melodia tem ar de show cult.

Na verdade uma receita simples embora corajosa. O roteiro não segue o caminho de buscar os clássicos dos dois, joga luz em músicas menos conhecidas. Mas, livre, Zezé passa por Mal secreto, sucesso de Macalé e Wally Salomão, e por O sangue não nega, composição de Melodia e Ricardo Augusto. A atriz aparece o tempo todo, especialmente na incrível interpretação de Soluços, rock underground de Macalé que Zezé transforma em monólogo com força teatral. A cantora brilha no reggae pop Vale quanto pesa, de Melodia.

Zezé Motta se joga com coragem e elegância. Dona da cena, a cantora brilha em repertório inteligente. Com forte referência na década de 70, o álbum cresce num espetáculo que busca velhas novidades que ainda soam modernas. Macalé e Melodia dão o tom da ousadia que Zezé encarna cheia de propriedade. A cantora está de volta ao disco em um ótimo trabalho.

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