Valéria Lobão faz estreia de gala
Primeiro CD solo da cantora segue arranjos sofisticados e soma participações

A cantora Valéria Lobão faz sua estreia solo no álbum Chamada. Primeiro lançamento do selo Tenda da Raposa - do famoso estúdio carioca com o mesmo nome - tem caprichadíssima produção de Carlos Fuchs. E soma amigos em ricas participações.

Valéria é grande cantora, capaz de imprimir sutilezas em voz afinadíssima que dispensa malabarismos, chega certeira ao ponto. Chamada é um álbum de concepção sofisticada e pouco convencional. As cartas já são apresentadas na abertura em Fubá, com arranjo de Jayme Vignoli e grande naipe de sopros. O músico também assina Um samba, parceria de Carlos Fuchs e Marcos Sacramento. Ritmos brasileiros com roupa de gala, o conceito que se estende ao longo das treze músicas.

Para a estreia solo Valéria está muito bem acompanhada. Os créditos revelam nada menos que 57 grandes músicos que participam desse trabalho, gravado sem pressa ao longo de três anos. Ganha participação do maestro Gilson Peranzzetta que fez o arranjo e ainda gravou o elegante piano em Vivência, parceria dele com Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. A voz de Marcos Sacramento desenha um lindo dueto com a cantora em Oração perdida, música de Luiz Flávio Alcofra e Jayme Vignoli para letra do poeta Aldir Blanc. Grupo vocal do qual Valéria faz parte, o Equale aparece na faixa-título, composição de Raphael Gemal e Ricardo Szpilman. Já Pedro Luis e sua Parede estão em Ritual profano, de Antonio Saraiva: "o ritmo que bate no peito do tempo", celebra a letra.

O ritmo esquenta em músicas como a inédita Jongo de vovó, parceria de Zé Paulo Becker e Paulo César Pinheiro. Valéria também se garante bem em momentos mais minimalistas. O disco fecha com La dolce vita - a saideira!, delicada canção de Paulo Baiano e Antonio Saraiva, aqui desenhada pelo acordeon de Bebê Kramer e pelo violão de Guto Wirtti. Em Uma canção pra ela, de Rodrigo Maranhão, a voz da cantora faz par apenas com o piano de Carlos Fuchs. Um trio jazzy acompanha Valéria na inspiradíssima Noite, de Paulo Baiano e Marcos Sacramento, e segue em Roda baiana, de Zé Paulo Becker e Tiago Torres da Silva. Ao longo do álbum passam ainda arranjos assinados por Flávio Mendes, Eduardo Neves e Josimar Carneiro.

O tempo aqui é outro. Se o mundo troca a delicadeza da arte pela pressa urgente, Valéria não faz parte desse time. "Se toda beleza cabe aqui / Todos os sentidos trago aqui", resume em poesia a letra de Rodrigo Maranhão. Com uma roupagem sofisticada Valéria Lobão mostra nesse álbum sua música arrojada e intenções que vão além do lugar comum. Os arranjos são desenhos precisos e ricos em uma verdadeira superprodução. A ótima cantora apresenta um cuidadoso quadro em disco de grande valor.

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