Show celebra centenário de Pedro Caetano
Obra do compositor reuniu no palco Cristina Buarque, Mariana Baltar e Marcos Sacramento

Hoje quase reduzida ao clássico É com esse que eu vou, a rica obra do compositor Pedro Caetano foi celebrada em duas únicas apresentações no Teatro Rival Petrobras (Rio) nos dias 25 e 26 de agosto de 2011. Um time de ótimos músicos acompanhou interpretações a cargo de Cristina Buarque, Mariana Baltar e Marcos Sacramento, esse também diretor do espetáculo que contou com participação de Chico Adnet.

Não fosse por iniciativa da família e nobre adesão dos grandes artistas ao projeto, o centenário de Pedro Caetano passaria em brancas nuvens, como fez questão de enfatizar Cristina Caetano, filha do compositor, em gravação exibida antes do espetáculo. Sem apoios, leis, editais, incentivos públicos nem privados o show foi só foi possível graças ao empenho de artistas, produtores e ainda - e felizmente - pelo público que lotou o Teatro Rival para ouvir a obra de Pedro Caetano. "Aí eu descobri quem realmente faz cultura nesse país", contou Cristina no vídeo.

O show concebido por Sacramento foi dividido em três blocos. Professora de samba (que não se aprende no colégio), Cristina Buarque abriu a noite com delicadeza com um set de sambas. Em O que se leva dessa vida abriu espaço para a chegada elegante de Mariana Baltar que, da mesma maneira, em Botões de laranjeira passou a bola para Marcos Sacramento, sempre arrebatador. Ele, por sua vez, anunciou a participação do cantor e compositor Chico Adnet, que estava na platéia. "Entrar depois de Sacramento é quase como ser jogado aos leões", brincou Chico antes de apresentar Levei um bolo, parceria sua com Pedro Caetano que permaneceu inédita durante vinte anos.

O esperado encontro dos quatro cantores ficou reservado para o final com Onde estão os tamborins e Eu brinco. Com o teatro já aplaudindo de pé e dançando, o apoteótico encontro seguiu no bis com É com esse que eu vou.

A noite, claro, era em homenagem a Pedro Caetano. Mas quem também foi celebrada foi a cantora Áurea Martins, que estava na plateia. Começou com Cristina Buarque que anunciou a presença e se declarou fã, seguida por Mariana Baltar e ainda por Marcos Sacramento. Todos unânimes em celebrar essa voz que merece reconhecimento muito maior, assim como a obra de Pedro Caetano.

Mas o teatro lotado e animado deixa uma confortável esperança. Se governo e empresas privadas não se interessam em preservar importantes nomes da história cultural brasileira, felizmente o público atendeu ao chamado de seus artistas para celebrar o centenário de Pedro Caetano. Já idealizado, montado e ensaiado, o espetáculo merece criar pernas e cantar em outras praças.

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