Disco gravado por Marília Pêra em 1975 ganha reedição
Álbum ousado para sua época volta ao mercado por iniciativa do DJ Zé Pedro

Em 1975 Marilia Pêra estrelou o espetáculo Feiticeira, show concebido por Nelson Motta e com roteiro, textos e poemas assinados por ele e por Fauzi Arap. Fracasso de bilheteria no Rio e em São Paulo, virou LP da caprichada Série Luxo da gravadora Som Livre. Sem alcançar também o sucesso, o disco saiu de catálogo mas com o passar dos anos seu valor foi crescendo no mercado cult dos sebos especializados em raridades. Por iniciativa do DJ Zé Pedro, desde sempre fã confesso do álbum, Feiticeira ganha sua primeira edição em CD pelo selo Jóia Moderna.

É fato indiscutível que Marília Pêra é das maiores atrizes brasileiras. Seus dotes artísticos, no entanto, não se limitam a representar textos e Marília sempre fez o papel da atriz que canta e dança. Vedete em tempos de contracultura, estrelou musicais no teatro e na TV. Viva Marília que nesse meio tempo se permitiu brilhar em espetáculos no papel de cantora, personagem confortável para a grande atriz. Feiticeira está nesse espaço quando a cantora entra em cena, mas sem dispensar as ferramentas da atriz.

O LP, baseado no show, tem arranjos de Guto Graça Mello e uma banda que junta estrelas como Zé Menezes e Hélio Delmiro se revezando com Guto nas guitarras enquanto na percussão estava Chico Batera. A lista de participações também juntava nomes de Márcio Montarroyos (trumpete e fluguel), Gerldo Azevedo (violão), Walter Franco em Dança da feiticeira e a dupla hippie Luhli e Lucina harmonizando vocais e violões em Bentevi, composição delas. Titulares no espetáculo, a banda de rock progressivo Vímana, formada pelos iniciantes Lobão (bateria), Lulu Santos (guitarra) e Ritchie (flauta), aparecia em Avô do Jabor, composição de Nelson Motta.

A verdade é que, passados 36 anos, Feiticeira ainda é um trabalho com ares de vanguarda. Repertório ousado, com assinatura de compositores que ainda hoje não foram devidamente compreendidos e valorizados na história da música brasileira. Alguns continuam carregando o fardo de "malditos" apesar de importante obra. Jorge Mautner traz seu Samba dos animais enquanto a dupla formada por Jards Macalé e Duda mostra Sem essa, na época ainda inédita.

O então iniciante Alceu Valença assina O medo, neura em tempos difíceis, enquanto Eduardo Dussek estreava fazendo a festa com sua desbundada Alô alô Brasil. Dois anos depois essa gravação entrou para a trilha sonora da novela Locomotivas e só em 2001 foi gravada pelo próprio autor para a abertura de As filhas da mãe. Entre os inéditos e modernos, a marchinha clássica de Lamartine Babo Canção para inglês ver temperava com muito humor o disco de Marília.

Feiticeira é um trabalho que merece reavaliações e uma nova chance, desses discos que são compreendidos décadas depois de seu lançamento. O LP de Marília Pêra volta ao mercado em reedição caprichadíssima, que mantém encarte com letras, ficha técnica e as ilustrações originais.

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