De Marya Bravo para Zé Rodrix, um tributo familiar
Segundo CD da cantora traz repertório do show De pai para filha

Cantora revelada nos musicais do teatro brasileiro, Marya Bravo aborda a obra de seu pai, o compositor Zé Rodix, em seu segundo CD. De pai para filha - Marya Bravo canta Zé Rodrix tem lançamento pelo selo Jóia Moderna. Apesar da dedicatória no título, o álbum é mais uma homenagem amorosa de filha para o pai, precocemente falecido em 2009 aos 61 anos.

O disco tem sonoridade de banda com sotaque rock bem apropriada para ligar a obra do compositor ao trabalho solo da cantora. Apesar de ser mais lembrado pela composição da belíssima canção Casa no campo em parceria com Tavito, Zé Rodrix tem uma obra bem mais ampla e variada. Seja em viagens solo, publicidade, trilhas sonoras ou nos rocks rurais criados ao lado dos companheiros no trio formado por ele ao lado de Sá e Guarabyra. Zé Rodrix teve ainda em sua trajetória participações em grupos na década de 70 como Som Imaginário que acompanhou Milton Nascimento e até o humor paulistano do Joelho de Porco.

Grande cantora, Marya Bravo -que equilibra bem personalidade e potência na voz - não se intimida em visitar a familiar Casa no campo e nem Soy latino americano, dois hits bem conhecidos. Mas brilha mesmo em rocks como Mestre Jonas, composição com Sá e Guarabyra que conta a incrível história de um homem que mora dentro de uma baleia. Ou ainda do banho glitter da Roupa prateada que abre o disco: "Desde pequeno que eu tinha vontade / De chegar aqui, e ficar na frente / De uma banda como essa e cantar assim", revela a cantora usando os versos do pai, que participou da criação do primeiro show de Rita Lee com o grupo Tutti Frutti em 1974.

A obra de Zé Rodrix tem forte influência da filosofia hippie amedrontada pela ditadura militar. "Ama teu vizinho como a ti mesmo / Mesmo que ele seja um grilo na comunidade", prega em Ama teu vizinho, da parceria com Luis Carlos Sá. Por outro lado revela em sua poesia: "Eu tinha medo de gente / De gente que eu não conhecia / E também tinha medo / De gente que morava lá na vizinhança", conta em Casca de caracol. A liberdade também está em Primeira canção da estrada, que diz "Eu tinha apenas 17 anos / No dia em que saí de casa / E não fazem mais de quatro semanas / Que eu estou na estrada".

O repertório pescado por Marya traz músicas compostas entre 1970 e 1976, confirmando os ares da década. Esse clima é abordado com respeito e talento pela Eletro Banda, que acompanha a cantora. A produção do álbum fica a cargo de Bruno Pederneiras (guitarras e violões) e Pedro Garcia (bateria) que se juntam a Daniel Martins (baixo), Pedro Augusto (piano, rhodes e hammond) e a participação especial de Rodrigo Pacato (percussão).

Filha do compositor com a cantora Lizzie Bravo - da fantástica história da brasileira que cantou com os Beatles - Marya brilha no álbum. O show interpretando o repertório do pai estreou em 2011 e rapidamente foi espertamente pescado por Zé Pedro para seu selo. Entre a publicidade e os rocks rurais Zé Rodrix criou uma relevante obra, que merece bem mais holofotes. Santo de casa, Marya Bravo não precisou fazer milagres para criar um grande álbum que deixa a certeza que ainda é dia para os rocks de Rodrix.

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