Célia canta as canções que o Rei escolheu
Novo trabalho da cantora resgata repertório gravado por Roberto Carlos na década de 70

Depois de comemorar seus 40 anos de carreira com um belíssimo álbum que não teve seu merecido reconhecimento, Célia volta ao disco com um novo projeto. Em Outros românticos, mais uma bela produção de Thiago Marques Luiz lançada pela Jóia Moderna do DJ Zé Pedro, a cantora retoma músicas gravadas por Roberto Carlos na década de 70.

A homenagem é nítida desde a capa, com ambientação decorada com discos de Roberto Carlos, dispostos como ícones pop na parede da cantora. Mas em momento nenhum Célia passa pelas parcerias da dupla Roberto e Erasmo Carlos (sempre envolvidas em longas negociações e autorizações que não chegam). A seleção busca compositores como Ivor Lancelotti, Demétrius, Getúlio Cortes, Benito di Paula e Isolda entre outros românticos.

Navegando entre grandes sucessos e músicas que ficaram esquecidas na vitrola, Célia faz um painel romântico se guiando pelo dedo do Rei, mas com sua própria maestria de grande intérprete. A escola de voz de Célia não segue a cartilha cool que domina grande parte das cantoras atuais. Sua interpretação é profunda e tem paixão, não evita tristeza e sofrimento. O coração pulsa e isso hoje pode causar espanto. Mas também tem a força para revelar belezas desse cancioneiro declaradamente romântico.

Essas canções, tatuadas na memória afetiva do imenso público de Roberto, são confortáveis e naturais para ela. Isso fica claro quando retoma Atitudes acompanhada por belo naipe de metais. E também quando canta com propriedade músicas tão ligadas a Roberto como Abandono (composição de Ivor Lancelotti que abre o disco) ou Nosso amor (Mauro Motta e Eduardo Ribeiro). Com drama e tintas de tango brilha em Jogo de damas (de Isolda e Milton Carlos), que canta em duo com o acordeon de Ricardo Prado. Ou ainda na delicada clássica Sonho lindo, de Maurício Duboc e Carlos Colla, em que é acompanhada apenas pelo violão de Rovilson Pascoal e pelo piano de Alex Vianna - músicos que se dividem entre os arranjos do álbum. O disco ainda ganhou faixa bônus virtual. A cantora disponibilizou em seu site www.celiacantora.com.br para audição e download Amigos, amigos, novamente de Isolda e Milton Carlos.

Célia estreou em disco cantando uma canção pouco conhecida de Roberto e Erasmo, em 1971 com o compacto que trazia Nasci numa manhã de carnaval. Em seu segundo LP, um ano mais tarde, voltou aos compositores com A hora é essa. Quatro décadas depois Célia se mantém fiel ao repertório real. Só que ao invés de mergulhar no imenso baú de suas composições, seguiu as escolhas do Rei. Canções que ele não escreveu, mas marcou com sua digital e agora ganham vez com a voz de Célia.

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