Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo
(Philips, 1975)

por Beto Feitosa

As carreiras de Chico Buarque e Maria Bethânia já haviam se cruzado no cinema em 1972 quando, ao lado de Nara Leão, participaram do filme Quando o carnaval chegar, de Cacá Diegues. Mas o grande encontro aconteceu a partir de 6 de junho de 1975, quando os dois estrearam o show que lotaria o Canecão nos cinco meses seguintes. O espetáculo deu origem a um disco ao vivo, ainda hoje cultuado símbolo de um tempo em que a arte era usada como arma contra o governo ditador.

Bethânia vinha das comemorações de seus breves dez anos de carreira. Em 1974 o espetáculo A cena muda, dirigido por Fauzi Arapi no Teatro Casa Grande, já havia virado disco ao vivo. Já Chico Buarque enfrentava problemas com a censura em sua peça Gota d'água e resolveu gravar músicas de outros compositores no LP Sinal fechado.

O show que originou o disco Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo era uma criação de Chico ao lado de Caetano Veloso, Ruy Guerra e Oswaldo Loureiro. A orquestra era regida pelo Maestro Gaya e a coordenação musical de Perinho Albuquerque.

O repertório era dividido pelos artistas em números solo e em dupla e trazia pérolas da melhor fase de Chico Buarque como Olé olá, Com açúcar com afeto, Quem te viu e quem te vê, Flor da idade entre outros.

A dupla também passeava por composições de Paulinho da Viola (Sinal fechado), Lupicínio Rodrigues (Foi assim), Herivelto Martins e David Nasser (Camisola do dia) e Sueli Costa e Hermínio Bello de Carvalho (Cobras e lagartos). É inesquecível a arrebatadora interpretação de Bethânia para Gita, de Raul Seixas.

Item essencial em qualquer discoteca de música brasileira, o álbum foi lançado em CD pela primeira vez em 1993 com letras, porém, sem ficha técnica. A capa foi adulterada com uma desnecessária facha avisando que se tratava de um disco remasterizado. Felizmente esse o problema foi corrigido na nova tiragem.


Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo


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