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Mart'nália faz samba com charme por Beto Feitosa
Consagrada na carona de um belíssimo DVD gravado em Berlim, Mart'nália já mostra seus novos passos. A cantora começa a modificar o repertório e inserir novidades. Inquieta, aproveitou para rebatizar sua turnê. Agora Mart'nália canta por ai o Sambacharme, que chama de baile. Mart'nália voltou ao Teatro Municipal de Niterói para uma mini-temporada do novo show dentro do projeto Circuito Cênico MPB. As novidades são evidentes, logo na entrada a cantora enrola a língua em sua versão de Don't worry be happy. O idioma volta no final em You're the sunshine of my life, "um samba do Stevie Wonder" na definição da própria cantora. E quem duvidar, que ouça. No meio do caminho Mart'nália mistura números de seu último show, músicas que se mostraram inevitáveis em seu set list como Cabide e Pra Mart'nália. No final do show o público grita pedindo Benditas. A cantora ameaça atender e chega a pedir o violão. Mas depois pondera: "Essa é devagar pra encerrar o show". Ficou para a próxima. O repertório de sambas ganha com inclusões de Tiro ao álvaro, e um generoso set de Vinicius de Moraes que passa por Samba da benção e Formosa. O pai, Martinho da Vila, ganha bloco especial em homenagem aos seus 70 anos com Disritmia e Ex-amor. A grande novidade no repertório, no entanto, fica pelo tempero de black music que Mart'nália acrescenta. Passa uma parceria de Djavan com Arthur Maia, Alívio, e vai até um clássico de Dafé, Pra que vou recordar o que chorei. O charme fica bem no baile de Mart'nália. Mas a platéia pega fogo com os sambas. Quando ela volta para o bis todos já estão de pé. A sobriedade do Teatro Municipal vira uma grande avenida com Mart'nália e banda já no meio do povo cantando seus sambas. No palco Mart'nália tem um comportamento de moleca. Mas é totalmente consciente de seu papel, leva a sério a função de entreter com bons sambas. Aquele tipo de cantora que nasceu e foi criada para estar no palco. Deixa a menina. |