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por Beto Feitosa
No dia em que o samba perdeu Jamelão, Marcos Sacramento estreou seu novo show no Teatro Rival, no Rio. O repertório que vinha cantando em apresentações nos últimos dois anos sofreu modificações e ganhou uma nova banda. Sacramento dá uma balançada na carreira aproveitando o relançamento de seu primeiro CD. Passa por outros trabalhos e já aponta inéditas para um futuro próximo. O samba de Sacramento está mais moderno. Daquela estética dos grandes mestres do passado ele mantém a ironia, as histórias peculiares e o bom humor. Mas esse samba está diferente, um pouco modificado, descolado. Logo que entra no palco deixa claro com Dia santo também, delícia tirada do recente e ótimo CD de Paulo Padilha. "Já tá na hora de sair do underground/Agora só me interessa o mainstream", declara. Boa parte do repertório traz composições de Sacramento. Caso da divertidíssima Rapa da Lapa, parceria com Paulo Baiano. Mas é da dobradinha com seu violonista Luiz Flávio Alcofra que vem a maior parte das músicas. A primeira a aparecer traz cores lusitanas na melodia de Baía, segue com Acaso e termina com a ótima Barulho. Alcofra ainda traz músicas que compôs sozinho como Calúnia e a inédita Pavio, parceria com Sérgio Natureza. Os grandes mestres também tiveram passagem. Dos mais recentes veio uma apimentada A Rosa, história musicada de Chico Buarque e Djavan. Sacramento dedicou a Jamelão a música Um samba, parceria sua com Carlos Fuchs. A influência de Aracy de Almeia é nítida, ainda mais com a inclusão de Triste cuíca, de Noel Rosa e Hervê Cordovil. O arranjo ganhou um inusitado acompanhamento feito com prato e talher. Já na música seguinte, Disse me disse é a vez de uma frigideira dar bom som. Uma brincadeira com a percussão, que é chamada de "cozinha da banda". Marcos Sacramento é um artista pronto para multidões de bom gosto e ouvidos atentos. Muito aplaudido e solicitado para o bis, conquistou o público com sua música que tem o pé nos grandes mestres mas que é pintada com cores modernas. O samba que cresceu com nomes como Noel Rosa e Wilson Baptista chega hoje com criações de Paulo Padilha, Alcofra e do próprio Sacramento. Uma mistura única e muito bem apresentada por um cantor de timbre especial, inteligência musical e carisma de sobra. Veja aqui A Rosa:
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