Em uma escola aberta por Zélia Duncan e Cássia Eller, o Brasil viu aparecer várias cantoras com uma linguagem pop e discurso que fala direto com o público, despertando reações apaixonadas. Muitas clonadas, apenas repetindo o que já foi feito, não encontram seu espaço. Algumas conseguem se destacar e dão certo levando essa receita para uma mistura particular. Nesse segundo caso que encontramos o primeiro CD da cantora e compositora pernambucana Claudia Holanda.
A voz grave e marcante tem uma doçura particular. Uma certa pegada roqueira que não contrasta com canções mais leves mostra que Claudia tem capacidade de apontar caminhos opostos com a mesma desenvoltura e cheia de bons resultados. Como de praxe, Claudia busca sua própria receita misturando informações diversas que vão do soul e do jazz até os ritmos brasileiros do mangue beat.
Como compositora Claudia garante bons momentos. Músicas como Alvo e flecha e Da janela podem encaixar perfeitamente nas rádios e em novelas sem que para isso seja preciso apelar para o popularesco. Encontrar essa difícil linha entre o pop e o comercial barato é o sonho de dez entre dez artistas, e Claudia parece ter o dom dessa comunicação natural.
A dançante Bolero não, talvez das melhores faixas do álbum, tem todos esses adjetivos, ornamentada por refrão daqueles que a gente sai cantando já na terceira vez. Uma música brasileira mais tradicional casada ao jazz aparece em Arte, enquanto a influência dos compositores nordestinos está explícita em Cruz cabugá.
O álbum, bem produzido, mostra uma artista que chega pronta, sabendo o que quer. Radicada no Rio há oito anos, Claudia começou trabalhando como jornalista. Só em 1991 chega aos palcos com o projeto Canja carioca, que passou por bares e casas de shows da cidade.
Esse primeiro trabalho é o caminho natural de uma cantora e compositora que precisa se expressar e se comunicar com o público. As cartas de Claudia Holanda foram lançadas ao mar e, aos poucos, vai chegando aos ouvidos interessados. A cantora foi responsável pelo show de abertura de Isabella Tavianni na Lona Cultural de Bangu enquanto duas de suas músicas, Da janela e Cruz cabugá, começam a tocar em algumas rádios cariocas. Em breve a notícia se espalha.