Esqueça a palavra convencional quando for ouvir Hilton Barcelos. No lugar de acordes redondos e voz aveludada, há o saudável desconforto do diferente, do instigante.
Em Arquétipos, LP lançado no final dos anos 80, Hilton mostrava suas experiências artísticas. Quase dez anos depois o repertório foi revisto e reeditado em CD com novas músicas, o artista gaúcho mostra quinze faixas cuidadosamente gravadas ao longo de quatro anos.
Para transgredir com conhecimento de causa, Hilton Barcelos estudou o convencional. De família de artistas, investiu em cursos como o de Estética e Composição coletiva, com o alemão Hans Jochim Koellreutter. No Brasil aprendeu mais ao lado do Pau Brasil e até do Maestro Gaya.
Impossível de ser rotulado ou classificado, Hilton Barcelos transita pelas influências regionais, nacionais e universais em uma música que não vê as fronteiras da criação, é livre. O encarte ilustrado proporciona o cruzamento da música com artes gráficas com um resultado riquíssimo.
A produção impressiona, ainda mais em se tratando de um trabalho independente. A ficha técnica chama atenção pelo número de pessoas envolvidas e também pelo uso de instrumentos pouco convencionais na música popular. A participação de músicos conhecidos como Airto Moreira, Nenê e Vittor Santos endossa o trabalho de Hilton. Driblando agendas e dificuldades de orçamento, Hilton fez questão de realizar o trabalho exatamente como imaginava.
Instigante e curioso, Arquétipos desperta o ouvinte e o tira da pasmaceira habitual. Se o papel da arte é incomodar ao apresentar novos caminhos, Hilton Barcelos se saiu bem em seu objetivo. Ponto para o artista que insiste em criar.