O violonista e compositor Bob Cupini lança seu segundo CD independente, Caminhos. Acompanhado por um time de ótimos músicos, o disco ainda traz participações especiais de Nelson Ayres (piano) e Roberto Sion (sopros).
Violão agradável, sem grandes malabarismos e virtuoses, Bob dá pincelada de jazz no repertório de grandes compositores brasileiros. A mais surpreendente é Trem das onze, clássico samba paulistano de Adoniran Barbosa. O violão ovation de Bob sola dialogando com o violão de 7 cordas de Swami Jr.
O samba também está presente nas sofisticadas releituras para Ataulfo Alves em Ai que saudades da Amélia, parceria com Mário Lago, e Meus tempos de criança. Continuando na seara do samba, destaque para a quebrada Me deixa em paz, de Monsueto e Ayrton Amorim. Clássico de Bororó, Da cor do pecado ganhou um clima mais quente. Da safra de João Donato e Lysias Enio, Amazonas chega perto da salsa com um arranjo semelhante ao do compositor.
Discípulo confesso de Tom Jobim, Bob resgata duas composições do maestro: Caminhos cruzados, parceria com Newton Mendonça, e A felicidade, com Vinicius de Moraes. E mostra influência do mestre nas únicas duas composições próprias: Azul turquesa com toques eruditos e a valsa Bate-papo, que ganha ares de samba-jazz para fechar o disco.
Os caminhos da música de Bob Cupini apontam para um som agradável. O prazer de quem faz passa para quem ouve. Um convite a uma boa hora descompromissada. Para desligar o mundo e ouvir com atenção.