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Ney e Zizi, The Best.
Rubens Ewald Filho
Cometi uma pequena traição este fim de semana, deixando de ir ao cinema (faltam poucos filmes na verdade) e optando por assistir shows de música. Por mera coincidência, vi novos espetáculos daqueles que são meus interpretes favoritos. Peço licença para comentar um pouco sobre Ney Matogrosso e Zizi Possi.
Ney
Conheço mal o Ney, o entrevistei um par de vezes na época em que fez o filme de Ana Carolina (Sonho de Valsa). Aliás, o bom de não escrever sobre música é que minha relação com os interpretes e autores é muito saudável, simpática, sem traumas. Porque em geral tenho enorme respeito pelo que fazem, muita admiração por uma arte que eu aprecio, mas não domino nem tenho o menor talento. Só ouvi coisas boas sobre o Ney como pessoa, além de sua timidez e lealdade. Mas nos últimos anos tenho sido fiel freqüentador de seus shows, admirador de suas qualidades também como diretor (é um excepcional iluminador) e constante comprador de seus CDS. Desta vez, fui ao Baretto, que é o bar do Fasano Hotel, onde tem se realizado pocket shows com grandes nomes. O espaço é relativamente pequeno, não especialmente adequado (é quase um corredor), mas permite uma intimidade rara com o interprete.
Ney apresentou um show híbrido, onde testava novas canções para um novo disco, misturado a antigos sucessos. Suas fãs estavam mais contidas (mas nem tanto, ele realmente tem uma presença “animal” que as deixa loucas) mas o espaço não o inibiu. Dançou, manteve a expressão corporal, “viveu”cada música. É notável como sua voz se mantém limpa, pura e jovem (acho que só ele e Caetano cantam melhor agora do que no começo da carreira). Como é uma figura magnética, mas ao mesmo tempo doce e do bem, como se apropria de cada canção (gosto especialmente quando as resgata do passado) tornando-as definitivamente suas. Foi um grande momento.
Zizi
Deixa eu dizer de cara: ela é a maior cantora brasileira do momento, talvez entre as melhores do mundo. E quem não concorda é porque ainda não a conhece direito. Assista a um show e você irá se render a interprete feminina mais perfeita e rigorosa da mpb, ou agora de qualquer música. Conheço Zizi melhor desde que produzimos pela HBO um especial de teve, que foi muito atormentado, cheio de problemas e desencontros. Mas nosso santos se cruzam, nos damos bem, até também porque sou amigo (e também admirador) do José Possi Netto, irmão e pigmaleão dela. Por ter convivido mais de perto, sou testemunha primeiro de seu enorme talento musical, uma voz extensa e afinadíssima, de uma total seriedade no trabalho. E de uma coisa raríssima no Brasil (aliás Ney tem a mesma coisa), um extraordinário bom gosto. Nenhum dos dois se deixa virar cafona, brega ou vulgar.O conjunto de violões de Ney e o trio que acompanha Zizi, são músicos esplendidos, no melhor de sua forma e principalmente do talento.
Depois de ter feito sucesso com as canções italianas, Zizi agora embarca em outro desafio, cantar canções americanas. O show e o disco vão se chamar, Para Inglês ver e Ouvir, justamente neste fim de semana foi gravado no teatro Shopping Frei Caneca,o DVD que irá acompanhar o próximo CD. Sem querer, acabei indo ao dia certo, no sábado, errando de horário (cheguei 40 minutos depois do previsto, por engano e por sorte minha, havia tido um atraso. Teve gente que brincou me vaiando achando que tinham atrasado por minha causa!). Mas um eterno fascinado por bastidores como eu, adorei ser testemunha dos intervalos (em que Zizi era obrigada a ficar falando com a platéia para dar tempo de trocar a fita), das repetições (algumas canções tiveram que ser reprisadas por motivos técnicos, seja tomadas de outros ângulos, seja porque Zizi achou que não deu o melhor de si). Mas me deixa falar do show. Zizi depois me disse que não houve outro critério na escolha das canções, a não ser seu gosto pessoal, seu prazer de interpretar aquelas musicas. (eu tinha achado curioso ela não ter incluído canções da Broadway que geralmente são mais dramáticas). E a escolha foi de Rod Stewart à Ray Charles, à clássicos do jazz às músicas do Burt Bacharach e The Carpenters, do Song of Freedom de Bob Marley à That Old Feeling, de Cole Porter (Love for Sale) á Gershwin (The Man I Love), passando por Beatles (Yesterday).
E que cantora! No palco, é uma Diva no melhor sentido da palavra. Seu inglês é perfeito, valoriza cada frase e expressão, usa com precisão todo seu enorme poder vocal. Foi uma apresentação notável (e certamente será um grande disco) que culminou no final com a canção Love of my Life do Queen unida à John Lennon que me levou as lagrimas. Mal posso esperar pelo lançamento do CD e DVD. Tenho certeza que vai ser mais um sucesso de Zizi.
Ref
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