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Cientistas analisaram o Oumuamua em busca de possíveis emissões artificiais de ondas de rádio

Pesquisa não encontrou sinais de que objeto seria alienígena, mas podem ajudar no estudo de sua composição

ESA/Hubble; NASA; ESO; M. Kornmesser
Representação artística do objeto interestelar Oumuamua

A detecção do objeto conhecido como Oumuamua em 2017 proporcionou a primeira oportunidade de observar de perto um visitante vindo de outro sistema estelar. Mas o que ele é? Um asteroide, um cometa ... ou um artefato alienígena?

Cientistas do Instituto SETI tentaram resolver essa questão usando o telescópio Allen Telescope Array (ATA) para observar Oumuamua quando ele estava a 273 milhões de km de distância, ou um pouco menos que o diâmetro da órbita da Terra. A intenção era medir transmissões artificiais de rádio que, se encontradas, seriam fortes evidências de que esse objeto não é simplesmente uma rocha lançada ao espaço por um efeito estilingue gravitacional aleatório que ocorreu em seu sistema estelar doméstico.

"Estávamos procurando um sinal que provasse que esse objeto incorpora alguma tecnologia, algo de origem artificial", diz Gerry Harp, autor principal de um artigo a ser publicado na edição de fevereiro de 2019 da revista Acta Astronautica. "Não encontramos essas emissões, apesar de uma pesquisa bastante delicada. Embora nossas observações não excluam conclusivamente uma origem não natural para Oumuamua, elas constituem dados importantes para acessar sua provável natureza."

Após sua descoberta em outubro de 2017, Oumuamua foi objeto de especulações populares sobre ter uma possível origem não natural, em grande parte porque trouxe à mente a espaçonave interestelar no romance “Encontro com Rama”, de Arthur C. Clarke. Sua forma altamente alongada e o fato de que nenhuma cauda foi observada reforçou essa hipótese para alguns, já que essas não são características de asteroides e cometas.

Um artigo recente publicado na revista Astrophysical Journal Letters por pesquisadores de Harvard também sugeriu a possibilidade de que o Oumuamua seria algo deliberadamente contruído. Os pesquisadores de Harvard argumentam que a ligeira e inesperada aceleração observada nesse objeto pode ter sido causada pela pressão da luz do Sol quando o Oumuamua girou em torno do astro. Sua hipótese é que o objeto pode ser um leve veleiro, deliberada ou acidentalmente enviado ao nosso caminho. Uma origem deliberada é considerada um pouco mais provável porque nosso Sistema Solar é um alvo muito pequeno para qualquer objeto que não esteja sendo guiado.

Tais argumentos reforçam a importância de observações como as conduzidas pelo ATA, que podem restringir a verdadeira natureza de Oumuamua.

As observações foram realizadas entre os dias 23 de novembro e 5 de dezembro de 2017, utilizando o correlacionador de banda larga do ATA em freqüências entre 1 e 10 GHz com uma resolução de freqüência de 100 kHz. Nenhum sinal foi encontrado no nível que seria produzido por um transmissor omnidirecional a bordo do objeto de 30 a 300 miliwatts. Em partes do espectro de rádio, que são rotineiramente atravancadas por telemetria de satélites artificiais, o limite para detecção chegou a 10 watts. Em todos os casos, esses limites às capacidades que poderiam ser detectadas são bastante modestos - comparáveis aos dos telefones celulares ou rádios de banda de cidadãos comuns.

Embora não tenham sido encontrados sinais vindos de Oumuamua, os tipos de observações relatados pelos cientistas do Instituto SETI podem ter utilidade em restringir a natureza de quaisquer objetos interestelares detectados no futuro, ou mesmo os objetos pequenos e bem conhecidos em nosso próprio Sistema Solar. Há muito foi formulada a hipótese de que alguns desses objetos poderiam ser sondas interestelares, e as observações de rádio oferecem uma maneira de abordar essa ideia, que é apenas uma especulação, mas não é impossível.

Instituto SETI

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